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Nasce a Separação dos Poderes

“A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.”
“Une injustice, faite à un seul, est une menace pour tous les autres.”
– Montesquieu como citado em “Devoirs du chef: déontologie et psychologie professionnelle …” – Página 102, Max Lambert – Presses Universitaires de France, 1942, 2a. ed. – 206 páginas
Montesquieu
Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, conhecido como Montesquieu (castelo de La Brède, próximo a Bordéus, 18 de janeiro de 1689 — Paris, 10 de fevereiro de 1755), foi um político, filósofo e escritor francês.
Ficou famoso pela sua teoria da separação dos poderes,[1] atualmente consagrada em muitas das modernas constituições internacionais, inclusive a Constituição Brasileira.[2]
“A liberdade é o direito de fazer o que a legislação permite”
“La liberté est le droit de faire tout ce que les lois permettent”
• De l’esprit des lois – Página 308, Charles de Secondat Montesquieu, 1784
Logo cedo teve formação iluminista com padres oratorianos.
Revelou-se um crítico severo e irônico da monarquia absolutista, bem como do clero católico.[1]
Adquiriu sólidos conhecimentos humanísticos e jurídicos, mas também frequentou em Paris os círculos da boêmia literária.
“Quanto menos se pensa, mais se fala.”
“Moins on pense, plus on parle.”
– Œuvres complètes – página 247, de Charles de Secondat Montesquieu – 1823
Proficiente escritor, concebeu livros importantes e influentes, como Cartas persas (1721), Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e de sua decadência (1734) e O Espírito das leis (1748), a sua mais famosa obra. Contribuiu também para a célebre Enciclopédia, juntamente com Diderot e D’Alembert.
O Espírito das Leis (L’Esprit des lois)
Montesquieu elaborou uma teoria política, que apareceu na sua obra mais famosa, O Espírito das Leis (De L’Esprit des Loix, 1748), inspirada em John Locke e no seu estudo das instituições políticas inglesas.
É uma obra volumosa, na qual se discute a respeito das instituições e das leis, e busca-se compreender as diversas legislações existentes em diferentes lugares e épocas. Esta obra inspirou os redatores da Constituição de 1791 e tornou-se na fonte das doutrinas constitucionais liberais, que repousam na separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário.
“Todo homem investido de poder é tentado a abusar dele.
“Tout homme qui a du pouvoir est porté à en abuser.”
– Montesquieu: Choix de textes et introduction – Página 32, Charles de Secondat Montesquieu (baron de) – Louis-Michaud, 1910 – 224 páginas
“O Espírito das Leis” foi proibida em diversos círculos intelectuais e também incluída no Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica. Foi também duramente recriminado pelo clero francês, na Sorbonne e em diversos artigos, panfletos e outros escritos. Toda essa reação negativa deu a obra uma maior abrangência e repercussão que a conseguida por “Cartas Persas“.“O Espírito das Leis” analisa de maneira extensa e profunda os fatos humanos com um rigoroso esboço de interpretação do mundo histórico, social e político. A pertinência das observações e a preocupação com o método permitem encontrar no seu trabalho elementos que prenunciam uma análise sociológica.
“A ignorância é a mãe das tradições”.
“L’ignorance qui est la mère des traditions.”
– Mélanges inédits de Montesquieu – Página 140, Charles de Secondat Montesquieu (baron de) – G. Gounouilhou, 1892 – 302 página
- “Um governo precisa apenas vagamente o que a traição é, e vai contribuir para o despotismo”.
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- – “Esprit des Lois, XII, 7”
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- “É uma infelicidade que existam tão poucos intervalos entre o tempo em que somos demasiado novos e o tempo em que somos demasiado velhos”.
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- – C’est un malheur qu’il y a trop peu d’intervalle entre le
- – Montesquieu; Pensées et fragments inédits de Montesquieu – Página 92, de Charles de Secondat Montesquieu, Gaston Jean-Marie Ludovic de Secondat Montesquieu – Publicado por G. Gounouilhou, 1901 v.2
- – C’est un malheur qu’il y a trop peu d’intervalle entre le
- “Gostaria de suprimir as pompas fúnebres. Devemos chorar pelo homem, no seu nascimento, e não na sua morte.”
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- – Je voudrais bannir les pompes funèbres. Il faut pleurer les hommes à leur naissance , et non pas à leur mort.
- – Oeuvres – Volume 6, Página 84, Charles-Louis de Secondat de Montesquieu – 1819
- – Je voudrais bannir les pompes funèbres. Il faut pleurer les hommes à leur naissance , et non pas à leur mort.
“Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias.”
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- – les lois inutiles affaiblissent les lois nécessaires
- – De l’esprit des lois, Volume 4 – página 109, Charles Louis de Secondat de Montesquieu – Didot, 1803
- – les lois inutiles affaiblissent les lois nécessaires
- “Todos os homens são bestas; os príncipes são bestas que não estão atreladas.”
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- – Tous les hommes sont des bêtes; les princes sont des bêtes qui ne sont pas attachées
- – Cahiers (1716-1755) – Página 110, Charles de Secondat Montesquieu (baron de), Editores Bernard Grasset, André Masson – Bernard Grasset, 1941 – 305 páginas
- – Tous les hommes sont des bêtes; les princes sont des bêtes qui ne sont pas attachées
- “A luxúria é como a avareza: quantos mais tesouros tem, mais sôfrega se torna”.
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- – il en est de la luxure comme de l’avarice; elle augmente sa soif par l’acquisition des trésors.
- – Œuvres complètes de Montesquieu: avec des notes – Página 538, Charles de Secondat Montesquieu (baron de) – Lefèvre, 1835 – 771 páginas
- – il en est de la luxure comme de l’avarice; elle augmente sa soif par l’acquisition des trésors.
- “Se eu soubesse algo que me fosse útil e que fosse prejudicial à minha família, expulsá-lo-ia de meu espírito. Se eu soubesse algo útil à minha família que não o fosse à minha pátria, tentaria esquecê-lo. Se eu soubesse algo útil à minha pátria que fosse prejudicial à Europa, ou que fosse útil à Europa e prejudicial ao gênero humano, considerá-lo-ia um crime”
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- – Si je savais quelque chose qui me fût utile et qui fut préjudiciable à ma familie , je le rejetterais de mon esprit. Si je savais quelque chose qui fût utile à ma famille, et qui ne le fût pas à ma patrie, je chercherais à l’oublier. Si je savais quelque chose utile à ma patrie, et qui fût préjudiciable à l’Europe, et au genre humain, je la regarderais comme un crime.
- – Oeuvres, Volume 2 – página 584, de Charles-Louis de Secondat de Montesquieu, 1817
- – Si je savais quelque chose qui me fût utile et qui fut préjudiciable à ma familie , je le rejetterais de mon esprit. Si je savais quelque chose qui fût utile à ma famille, et qui ne le fût pas à ma patrie, je chercherais à l’oublier. Si je savais quelque chose utile à ma patrie, et qui fût préjudiciable à l’Europe, et au genre humain, je la regarderais comme un crime.
- “Eu sou necessariamente um homem, e eu sou francês apenas por acaso.”
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- – je suis nécessairement homme, et que je ne suis Français que par hasard
- – Politique de Montesquieu – Página 303, Charles de Secondat Montesquieu (baron de), Compilado por Jean Ehrard, Editora A. Colin, 1965 – 331 páginas
- – je suis nécessairement homme, et que je ne suis Français que par hasard
- “Quase todas as monarquias foram instituídas na ignorância das artes e destruídas porque as cultivaram demais”.
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- – presque toutes les monarchies n’ont été fondées que sur l’ignorance des arts , et n’ont été détruites que parce qu’on les a trop cultivés.
- – Oeuvres complètes de Montesquieu: Lettres persanes – Página 234, Charles de Secondat Montesquieu – 1799
- – presque toutes les monarchies n’ont été fondées que sur l’ignorance des arts , et n’ont été détruites que parce qu’on les a trop cultivés.
- “Um homem não é infeliz porque tem ambições, mas porque elas o devoram.”
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- – un homme n’est pas malheureux parce qu’il a de l’ambition, mais parce qu’il en est dévoré
- – Œuvres complètes de Montesquieu: Discours, lettres, voyage à Paphos – Volume 7, Página 180, Charles de Secondat Montesquieu (baron de) – Garnier frères, 1879
- – un homme n’est pas malheureux parce qu’il a de l’ambition, mais parce qu’il en est dévoré
- “A amizade é um contrato segundo o qual nos comprometemos a prestar pequenos favores para que no-los retribuam com grandes.”
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- – L’amitié est un contrat par lequel nous nous engageons à rendre de petits services à quelqu’un, afin qu’il nous en rende de grands.
- – Pensées et fragments inédits de Montesquieu, Volume 2 – Página 109, Charles de Secondat Montesquieu (baron de) – G. Gounouilhou, 1901 ((2062. III, f° 342))
- – L’amitié est un contrat par lequel nous nous engageons à rendre de petits services à quelqu’un, afin qu’il nous en rende de grands.
“Se os triângulos tivessem um deus, ele teria três lados.”
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- – fi les Triangles faifoient un Dieu, ils lui donneroient trois côtés.
- – Carta LVII (1714), in: “Lettres persanes”, Volume 1 – Página 134, Charles Louis de Secondat de Montesquieu – Pierre Marteau, , 1730, 4a. ed. – 170 páginas
- – fi les Triangles faifoient un Dieu, ils lui donneroient trois côtés.
- “Quanto menos os homens pensam, mais eles falam; e as mulheres falam mais que os homens por força de ociosidade, elas não tem o que pensar”
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- – Moins on pense , plus on parle : ainsi les femmes parlent plus que les hommes; à force d’oisiveté, elles n’ont point à penser.
- – Oeuvres complètes de Montesquieu … avec des notes d’Helvétius sur L’esprit des lois..: tome douzième – Página 208, Charles Louis de Secondat Montesquieu (Baron de), Claude Adrien Helvétius – chez Pierre Didot l’aine, 1795 – 240 páginas
- – Moins on pense , plus on parle : ainsi les femmes parlent plus que les hommes; à force d’oisiveté, elles n’ont point à penser.
Atribuídas
- “A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos.”
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- – Une injustice, faite à un seul, est une menace pour tous les autres
- – como citado em “Devoirs du chef: déontologie et psychologie professionnelle …” – Página 102, Max Lambert – Presses Universitaires de France, 1942, 2a. ed. – 206 páginas
- – Une injustice, faite à un seul, est une menace pour tous les autres
- “Para se fazer grandes coisas não se deve estar acima dos homens, mas junto deles.”
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- – Pour faire de grosses choses, il ne faut pas être au dessus des hommes, il faut être avec eux.
- – como citado em “Associations transnationales”, Volume 36 – Página 310, Union of International Associations – 1984
- – Pour faire de grosses choses, il ne faut pas être au dessus des hommes, il faut être avec eux.
- “A família virtuosa é um barco que, nas tormentas, fica preso por duas âncoras: religião e costumes.”
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- – Une famille vertueuse est un vaisseau tenu pendant la tempête, par deux ancres, la Religion & les Mœurs.
- – Montesquieu in: Esprit des Loix; citado em Dictionnaire de pensées ingénieuses, tant en vers qu’en prose, des meilleurs écrivains françois – Página 512, Blaise-Louis Pelée de Chenouteau – La veuve Duchesne, 1773, 1121 páginas
- – Une famille vertueuse est un vaisseau tenu pendant la tempête, par deux ancres, la Religion & les Mœurs.
- “A crença de ser a juventude a época mais feliz da vida é baseada numa falácia. A pessoa mais feliz é aquela que tem os pensamentos mais interessantes. Assim, podemos tornarmo-nos mais felizes na medida em que nos tornamos mais velhos.”
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- – Montesquieu citado em Citações da Cultura Universal – página 503, Alberto J. G. Villamarín, Editora AGE Ltda, 2002, ISBN 8574970891, 9788574970899, 574 páginas
FONTES
ameaça, artistas, Brasil, Centro do Professorado Paulista, cientistas, CITAÇÕES, CPP, Deus, direito, escritor, escritores, famosas, filósofo, filósofos, francês, frases, humanidade, ideias, ignorância, injustiça, inovações, invenções, legislação, leis, liberdade, marcantes, Montesquieu, mundo, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, poder, polêmicas, político, professores, sociedade, tradições", triângulos, wikipedia, wikiwand -
CPP pretende entrevistar os principais candidatos ao Governo de SP para falar sobre Educação

Professores, mandem suas perguntas.
Elas serão selecionadas para que o CPP possa questionar os candidatos.
Vejam o convite do terceiro vice-presidente, Azuaite Martins de França, e participem!
A ideia também prevê mostrar a realidade do salário dos professores.
Assistam ao vídeo para entender.
Neste ano, em outubro, a população terá a oportunidade de escolher seus governantes, o que inclui o chefe do Executivo do estado de São Paulo. Diante disso, e para contribuir com o voto consciente, o CPP realizará uma série de entrevistas com os pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes.
O objetivo é tratar de propostas para a educação do estado mais rico do Brasil.
FONTE: CPP CENTRAL
Os professores e profissionais da Educação paulistas sofrem há anos com descaso de sucessivas gestões. Os salários estão sucateados, a pandemia de Covid-19 agravou a já precária situação das escolas e, como se não bastasse, aposentados e pensionistas viram seus rendimentos minguarem com a reforma da Previdência e o confisco imposto pelo Decreto 65.021/20.
Como entidade do magistério consagrada no estado de São Paulo, o CPP considera fundamental abordar os principais pré-candidatos a fim de entender quais são as ideias de governo para a área nos próximos 4 anos. A iniciativa busca informar e conscientizar os mais de 120 mil associados, bem como todos aqueles que pretendem melhorar a educação paulista por meio do voto.
Seis em cada 10 brasileiros consideram a educação importante na hora de escolher candidatos nas Eleições 2022. É o que mostra pesquisa divulgada pelo Movimento Todos pela Educação, em 28 de abril deste ano. O levantamento revela também que investir na infraestrutura das escolas deve ser um dos temas prioritários da área educacional.Vocês, professores e profissionais da Educação, podem participar da série de entrevistas. Basta enviar e-mail para portal@cpp.org.br com sugestões de questionamentos para os postulantes ao Governo do Estado de São Paulo.
O CPP entrevistará os pré-candidatos mais bem colocados em pesquisas de intenção de voto.São eles, por ordem decrescente: Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia – atual governador (PSDB).

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Dia Mundial do Meio Ambiente

Hoje, 5 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população global sobre a necessidade de preservar os recursos naturais.
A data foi definida em 1972, na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo. O evento mudou a forma de lidar com as questões ambientais, chamando a atenção para o consumo responsável.
O CPP destaca a importância dessa data e faz um alerta: não há outro planeta para a vida humana. Por isso, cuidar da Terra é um dever de todos.
Viver de modo mais sustentável é possível. #diamundialdomeioambiente #meioambiente #educacao #educacaoambiental
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A Música da Poesia

Erasmo Carlos
81 Anos
Erasmo Esteves (Rio de Janeiro, 5 de junho de 1941) [2], mais conhecido como Erasmo Carlos, OMC, é um cantor, compositor, músico multi-instrumentista e escritor brasileiro, famoso por suas parcerias com o cantor Roberto Carlos.
Anos 50 e 60
Nasceu no bairro da Tijuca na Zona Norte do Rio de Janeiro, sua mãe saiu da Bahia grávida de um homem que não quis assumir a paternidade.
Erasmo só veio a conhecer seu pai aos 23 anos de idade.[4]
Erasmo Carlos, Tim Maia e Roberto Carlos.
Erasmo conhecia Sebastião Rodrigues Maia (que mais tarde seria conhecido como Tim Maia) desde a infância, entretanto a amizade só viria na adolescência por conta da febre do Rock and Roll.
Em 1957 Tim Maia montou a banda The Sputniks, sendo os membros da banda Tim, Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e Roberto Carlos.
Após uma briga entre Tim e Roberto, o grupo foi desfeito, Wellington desistiu da carreira musical, o único remanescente era Arlênio que no ano seguinte resolveu chamar Erasmo e outros amigos da Tijuca, Edson Trindade (que tocou violão no grupo Tijucanos do Ritmo, onde Tim Maia tocava bateria) e José Roberto, conhecido como “China” para formarem o grupo vocal “The Boys of Rock”.
Erasmo Carlos (à direita) com Tim Maia.
Por sugestão de Carlos Imperial o grupo passou a se chamar The Snakes, o grupo acompanhava tanto Roberto quanto Tim Maia em seus respectivos shows.
Erasmo foi apresentado a Roberto por Arlênio Lívio, Roberto precisava da letra da canção Hound Dog, sucesso na voz de Elvis Presley, então Arlênio disse que Erasmo seria a pessoa que possuiria tal letra, pois este era um grande fã de Elvis, Roberto descobriu outras afinidades com Erasmo, além de Elvis, ambos gostavam de Bob Nelson, James Dean, Marlon Brando, Marilyn Monroe, e torciam para o Vasco da Gama.
Quando fazia parte do The Snakes, Tim Maia ensinou Erasmo a tocar violão.
O The Snakes chegou a acompanhar, o cantor Cauby Peixoto em sua inusitada passagem pelo rock, na gravação de “Rock and Roll em Copacabana” de 1957 e no filme “Minha Sogra é da Polícia” (1958), onde o cantor interpreta a canção “That’s Rock” composta por Imperial[5].
Nos tempos da juventude também conheceu, Jorge Ben Jor[6], na época conhecido como Babulina e Wilson Simonal, que também foi agenciado por Carlos Imperial.
Erasmo resolveu adotar o nome Carlos no nome artístico em homenagem ao Roberto Carlos e a Carlos Imperial e com esse nome lançou o compacto que seria de grande sucesso com a música O Terror dos Namorados com a novidade do Órgão Hammond de Lafayette que também era seu amigo e da Turma do Bar Divino na Tijuca.
Com a chegada da Bossa nova, Erasmo também se deixou influenciar pelo gênero, Roberto chegou a se tornar crooner cantando Bossa nova, bastante influenciado por João Gilberto.
Antes de seguir carreira solo, Erasmo fez parte da banda Renato e Seus Blue Caps.
Erasmo Carlos com Wanderléa e Roberto Carlos.
Participou efetivamente junto com Roberto Carlos e com Wanderléa do programa Jovem Guarda onde tinha o apelido de Tremendão, imitando as roupas e o estilo de seu ídolo Elvis Presley.
Seus maiores sucessos como cantor nessa fase foram “Gatinha Manhosa” e “Festa de Arromba“.
Em 1966 Erasmo, Eduardo Araújo e Carlos Imperial foram acusados de corrupção de menores, contudo ele e os demais foram inocentados.
Com o término do programa, entrou em crise, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de seu parceiro Roberto Carlos e de sua esposa, Narinha.
Nessa fase de transição fez sucesso cantando “Sentado à Beira do Caminho” e “Coqueiro Verde”, Roberto e Erasmo eram criticados por cantar e compor Rock e de serem americanizados, Coqueiro Verde foi o primeiro samba-rock gravado por Erasmo.
Chegou a dividir uma apartamento com Jorge Ben Jor, apontado com um dos criadores do estilo[7], no Bairro do Brooklin em São Paulo.
O disco Erasmo Carlos e os Tremendões já é um trabalho transitório na carreira do artista. O LP, de 1969, traz interpretações muito peculiares de canções de compositores da MPB, como “Saudosismo”, de Caetano Veloso e “Aquarela do Brasil“, de Ary Barroso (lançada no filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa em que Erasmo atua com Roberto e Wanderléa) e “Teletema” (canção originalmente interpretada por Regininha, sucesso por ter sido tema da novela Véu de Noiva, da Rede Globo), de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, além da primeira gravação de “Sentado à Beira do Caminho”.
Erasmo Carlos com Marília Gabriela.
Anos 70
Na década de 1970, Erasmo assina com a Polydor.
A primeira metade da década mostra o Tremendão num estilo bem diferente da Jovem Guarda. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul, lança Carlos, Erasmo em 1971.
O disco, que abre com “De Noite na Cama”, escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz um polêmica ode à maconha.
O existencialismo prossegue em seus outros LPs dos anos 70: Sonhos e Memórias, Projeto Salva Terra e Banda dos Contentes. “Sou uma Criança, Não Entendo Nada”, “Cachaça Mecânica” e “Filho Único” são algumas canções de destaque no período. Pelas Esquinas de Ipanema, seu LP de 1978, inclui uma impactante canção que denuncia o descaso do homem com a ecologia: “Panorama Ecológico”.
Participou dos filmes Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora (1971), de Roberto Farias; e Os Machões (1972), dirigido por Reginaldo Faria, que também atuou no filme. Em 1975 aparece em show ao vivo no documentário Ritmo Alucinante, registro do festival de rock Hollywood Rockrealizado no mesmo ano, no Rio de Janeiro.
Anos 80
Erasmo Carlos começa os anos 80 com um projeto ambicioso. Erasmo Convida é um pioneiro projeto no Brasil.
Foram 12 canções interpretadas em dueto com artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, A Cor do Som, As Frenéticas, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso.
A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: a regravação de “Sentado à Beira do Caminho”, com a participação do parceiro Roberto Carlos nos vocais.
Erasmo Carlos e Lulu Santos, em 1984.
No ano seguinte, o LP Mulher tem uma grande repercussão com as canções “Mulher (Sexo Frágil)” (escrita com sua mulher, Narinha), “Pega na Mentira” e “Feminino Coração de Deus” (de Sérgio Sampaio).
Erasmo com sua esposa, Narinha.
O sucesso na mídia, que continuou com Amar Pra Viver ou Morrer de Amor (1982), trouxe uma cobrança para Erasmo: assim como o parceiro Roberto Carlos (no auge do sucesso), ele deveria lançar um trabalho inédito todos os anos.
“Lentinha, para tocar no rádio”, como disse o cantor ao relembrar seus discos na época.
Erasmo em entrevista para o UOL.
Embora seja a década com mais lançamentos de trabalhos novos, Erasmo tem algumas ressalvas sobre os seus discos a partir da segunda metade da década – Buraco Negro (1984), Erasmo Carlos (1985), Abra Seus Olhos (1986) e Apesar do Tempo Claro… (1988). O disco de 1988 seria seu último na Polydor (selo da Polygram, hoje Universal Music).
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que numa participação especial diminuta, no coro da versão brasileira de “We Are the World“, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África, ou USA for Africa.
O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções “Chega de Mágoa” e “Seca d’Água”. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi, no entanto, criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.
Em 1989, ele ainda faria o álbum ao vivo Sou uma Criança, com participações de Leo Jaime e dos grupos Kid Abelha e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e lançados pela pequena gravadora SBK.
Anos 90
Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. Homem de Rua, lançado pela Sony Music em 1992, chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela De Corpo e Alma, mas a canção era tema do personagem Bira de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Thomaz, assassinou a atriz Daniella Perez, filha da autora da novela Glória Perez.
Por conta desse acontecimento, Erasmo em respeito a atriz, nunca mais cantou essa música. Outra gravação de destaque foi “A Carta”, na qual Erasmo cantou com Renato Russo.
Em 1995, ele voltou a ter destaque nas comemorações dos trinta anos da Jovem Guarda, que rendeu discos e shows. No ano seguinte, Erasmo gravou o álbum É Preciso Saber Viver, com regravações de canções de seu repertório.
O destaque foi para “Do Fundo do Meu Coração”, dueto com Adriana Calcanhotto.
Em 26 de dezembro de 1995, sua ex-esposa Sandra Sayonara Saião Lobato Esteves, a Narinha morreu de parada cardiorrespiratória, aos 49 anos, depois de ingerir cianeto.
Narinha tinha uma ponte de safena e havia tentado o suicídio duas vezes.
A primeira, com um tiro, e outra, ao ingerir uma alta dose de tranquilizantes.
Narinha era paisagista e morava sozinha num apartamento em São Conrado, no Rio de Janeiro. O casal estava divorciado havia quatro anos, depois de um casamento de treze.[8]
Século XXI
Somente em 2001 Erasmo voltaria a lançar um disco novo. Pra Falar de Amor traz interpretações dele para canções apenas suas, além de canções de Kiko Zambianchi e Marcelo Camelo. O destaque é “Mais um na Multidão”, dueto com Marisa Monte e de autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, ele lançou seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo.
No início de 2004, ele lançou seu trabalho mais autoral: Santa Música, com doze canções de autoria apenas de Erasmo Carlos. Além da faixa-título, destaca-se a faixa “Tim”, feita em homenagem a Tim Maia. Em 5 de fevereiro de 2004, sua mãe Maria Diva Esteves faleceu aos 83 anos devido a complicações de diabetes e isquemia.[9]
Em 2007, Erasmo novamente lançou um disco no qual recebe convidados. Erasmo Convida, Volume II apresenta novos encontros musicais em que Erasmo interpreta parcerias dele com Roberto. Adriana Calcanhotto, Lulu Santos, Simone, Marisa Monte, Milton Nascimento e as bandas Skank e Los Hermanos estão entre os convidados. A faixa de maior destaque nas rádios é “Olha”, cantada com Chico Buarque, e tema da novela das 21 horas, Paraíso Tropical, da Rede Globo.
Também em 2007, Erasmo compôs a faixa de abertura de Só Nós, o segundo disco-solo da vocalista do Kid Abelha, Paula Toller.
No dia 5 de junho de 2009, no dia em que completou 68 anos, Erasmo lançou, pela sua gravadora Coqueiro Verde, o CD Rock ‘n’ Roll, uma homenagem ao gênero que mais o influenciou, com 12 composições próprias, sendo 7 em parceria: Nando Reis (em “Um beijo é um tiro” e “Mar vermelho”), Nelson Motta (em “Chuva ácida” e “Noturno Carioca”), Chico Amaral (em “Noite perfeita” e “A guitarra é uma mulher”), e Liminha e Patrícia Travassos (em “Celebridade”). Destaque também para “Olhar de mangá”, na qual Erasmo cita nomes de 52 personalidades femininas (reais ou fictícias), a canção é inspirada nas expressões faciais usada no quadrinhos japoneses (os chamados mangás)[10]. No mesmo ano, publicou a autobiografia “Minha Fama de Mau” publicada pela Editora Objetiva.[11]
Em 2010, Erasmo compôs em parceira com Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle um samba enredo para a GRES Beija-Flor, que anunciou um enredo sobre Roberto Carlos para 2011[12], porém, o samba composto por Erasmo não passou nas eliminatórias[13], a canção escolhida foi “A Simplicidade de um Rei”, que tem como um dos co- autores, JR Beija-Flor, filho do intérprete da Escola, Neguinho da Beija-Flor[14]
Erasmo lançou um novo disco intitulado Sexo em agosto de 2011. Em 2013 a faixa “Além do Horizonte” foi tema da novela homônima das 19 horas, também da Rede Globo. Em 2014, é lançado Gigante Gentil, seu terceiro disco consecutivo só com músicas inéditas.[15] O disco venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro. [16]
Erasmo tem quatro filhos: Alexandre Pessoal, Leonardo Esteves, Gil Eduardo Esteves, Alexandre Esteves
Em 14 de maio de 2014, seu filho Alexandre Pessoal, também cantor e compositor, morreu aos 40 anos de idade, vítima de morte cerebral causada por um acidente de moto em 7 de maio.
Ficou em coma induzido, porém não resistiu ao tratamento e faleceu. [17][18]
Em março de 2015, o deputado federal Tiririca foi condenado a pagar uma indenização a Erasmo e Roberto Carlos por parodiar a música O Portão nas eleições de 2014.[19]
Em junho do mesmo ano, Erasmo lançou o DVD Meus Lados B, só com músicas “lado B” de seu repertório.[20]
Discografia
Estúdio
- 1965 – A Pescaria
- 1966 – Você Me Acende
- 1967 – Erasmo Carlos
- 1967 – O Tremendão: Erasmo Carlos
- 1968 – Mil Bikinis (Compacto Duplo)
- 1968 – Erasmo Carlos
- 1970 – Erasmo Carlos e os Tremendões
- 1971 – Carlos, Erasmo
- 1972 – Sonhos e Memórias
- 1974 – Projeto Salva Terra
- 1976 – Banda dos Contentes
- 1978 – Pelas Esquinas de Ipanema
- 1980 – Erasmo Convida
- 1981 – Mulher
- 1982 – Amar pra Viver ou Morrer de Amor
- 1984 – Buraco Negro
- 1985 – Erasmo Carlos
- 1986 – Abra Seus Olhos
- 1988 – Apesar do Tempo Claro…
- 1992 – Homem de Rua
- 1996 – É Preciso Saber Viver
- 2001 – Pra Falar de Amor
- 2004 – Santa Música
- 2007 – Erasmo Convida, Volume II
- 2009 – Rock ‘n’ Roll
- 2011 – Sexo
- 2014 – Gigante Gentil
Ao Vivo
- 1975 – Hollywood Rock (Falso álbum ao vivo, lançado somente em LP, e dividido com Raul Seixas, O Peso, Rita Lee e Tutti Frutti)
- 1989 – Sou uma Criança
- 2001 – Ao Vivo
- 2012 – 50 Anos de Estrada
- 2015 – Meus Lados B
“Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham na manhã
Depois do nosso adormecer
E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza dessa hora
O sol espera pra nascer”– Erasmo Carlos em trecho da canção “Cavalgada“, composta em parceria com Roberto Carlos.
Erasmo Carlos
Erasmo Esteves
(Rio de Janeiro, 5 de junho de 1941)
81 Anos
FONTE
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O Construtivismo e a Desconstrução

“Quem tem muito pouco, ou quase nada,
merece que a escola lhe abra horizontes.”
– Emilia Ferreiro
”A escrita é uma construção coletiva, e não individual.”
– Emilia Ferreiro
Emilia Ferreiro
Emilia Beatriz María Ferreiro Schavi (Buenos Aires, 5 de maio de 1936) é uma psicóloga e pedagoga argentina, radicada no México, doutora pela Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget[1][2].
FONTE: NOVA ESCOLA
A pedagoga e psicolinguista argentina Emilia Ferreiro (1937) revolucionou a maneira de se pensar a alfabetização e foi quem mais influenciou a Educação brasileira nos últimos 40 anos.
Emilia fez doutorado na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, e focou seus estudos em investigações sobre a escrita.
Em 1979, em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky, lançou o livro Psicogênese da Língua Escrita.
Sua obra influenciou tanto os educadores brasileiros que até mesmo os Parâmetros Curriculares Nacionais são inspirados por ela.
”Um dos maiores danos que se pode causar uma criança é levá-la a perder a confiança na sua própria capacidade de pensar.”
– Emilia Ferreiro
“Por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa.”
– Emilia Ferreiro
SAIBA MAIS
FONTE: NOVA ESCOLA
Emilia Ferreiro, a estudiosa que revolucionou a alfabetização
A psicolinguista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou os educadores a rever radicalmente seus métodos
“A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro”
– diz a educadora Telma Weisz, que foi aluna da psicolinguista.
Emilia Ferreiro se tornou uma espécie de referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, campo de estudo inaugurado pelas descobertas a que chegou o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) na investigação dos processos de aquisição e elaboração de conhecimento pela criança – ou seja, de que modo ela aprende.
As pesquisas de Emilia Ferreiro, que estudou e trabalhou com Piaget, concentram o foco nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e à escrita. De maneira equivocada, muitos consideram o construtivismo um método.
Tanto as descobertas de Piaget como as de Emilia levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado.
Elas constroem o próprio conhecimento – daí a palavra construtivismo.
A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola – e da alfabetização em particular – do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno. “Até então, os educadores só se preocupavam com a aprendizagem quando a criança parecia não aprender”, diz Telma Weisz. “Emilia Ferreiro inverteu essa ótica com resultados surpreendentes.”
O princípio de que o processo de conhecimento por parte da criança deve ser gradual corresponde aos mecanismos deduzidos por Piaget, segundo os quais cada salto cognitivo depende de uma assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo.
É por utilizar esses esquemas internos, e não simplesmente repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino recebido. No caso da alfabetização isso implica uma transformação da escrita convencional dos adultos (leia mais sobre as hipóteses elaboradas pelas crianças na tentativa de explicar o funcionamento da escrita).
Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele “releu” o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.
”As crianças não precisam atingir uma certa idade e nem precisam de professores para começar a aprender. A partir do nascimento, já são construtoras de conhecimento. Levantam problemas difíceis e abstratos e tratam por si próprias de descobrir respostas para eles.”
– Emilia Ferreiro
Compreensão do conteúdo
Com base nesses pressupostos, Emilia Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque julga a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção (capacidade de discriminar sons e sinais, por exemplo) e de motricidade (coordenação, orientação espacial etc.).
Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixa-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização.
Para os construtivistas, o aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.
É por não levar em conta o ponto mais importante da alfabetização que os métodos tradicionais insistem em introduzir os alunos à leitura com palavras aparentemente simples e sonoras (como babá, bebê, papa), mas que, do ponto de vista da assimilação das crianças, simplesmente não se ligam a nada.
Segundo o mesmo raciocínio equivocado, o contato da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela já for capaz de ler as palavras isoladas, embora as relações que ela estabelece com os textos inteiros sejam enriquecedoras desde o início.
“A escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade. Como objeto cultural, a escrita cumpre diversas funções de existência.”
– Emilia Ferreiro
Segundo Emilia Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita.
De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.
Sala de aula vira ambiente alfabetizador
Uma das principais consequências da absorção da obra de Emilia Ferreiro na alfabetização é a recusa ao uso das cartilhas, uma espécie de bandeira que a psicolinguista argentina ergue.
Segundo ela, a compreensão da função social da escrita deve ser estimulada com o uso de textos de atualidade, livros, histórias, jornais, revistas.
Para a psicolinguista, as cartilhas, ao contrário, oferecem um universo artificial e desinteressante. Em compensação, numa proposta construtivista de ensino, a sala de aula se transforma totalmente, criando-se o que se chama de ambiente alfabetizador.
Ideias que o Brasil adotou
As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980.
As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores.
O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984. As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula.
Mas o construtivismo mostrou sua influência duradoura ao ser adotado pelas políticas oficiais de vários estados brasileiros. Uma das experiências mais abrangentes se deu no Rio Grande do Sul, onde a Secretaria Estadual de Educação criou um Laboratório de Alfabetização inspirado nas descobertas de Emilia Ferreiro.
Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação.
Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, “a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua”, produzindo “experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática”.
SUGESTÕES DE LEITURA
Construtivismo, Maria da Graça Azenha, 128 págs., Ed. Ática
Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed
Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed
Emilia Ferreiro
Em 1970 depois de se formar em psicologia pela Universidade de Buenos Aires, estuda na Universidade de Genebra, onde trabalha como pesquisadora-assistente de Jean Piaget e obtém o seu PhD sob a orientação do psicopedagogo suiço. Retorna a Buenos Aires, em 1971. Forma um grupo de pesquisa sobre alfabetização e publica sua tese de doutorado – Les relations temporelles dans le langage de l’enfant. No ano seguinte, recebe uma bolsa da Fundação Guggenheim (EUA). Em 1974 afasta-se de suas funções docentes na Universidade de Buenos Aires.
Em 1977, após o golpe de Estado na Argentina passa a viver em exílio na Suíça, lecionando na Universidade de Genebra. Inicia com Margarita Gómez Palacio uma pesquisa em Monterrey (México) com crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem. Em 1979 passa a residir no México com o marido, o físico e epistemólogo Rolando García, com quem teve dois filhos.
Atualmente é Professora Titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, na Cidade do México.
Emilia Beatriz María Ferreiro Schavi (Buenos Aires, 5 de maio de 1936) é uma psicóloga e pedagoga argentina.
FONTES
argentina, artistas, Brasil, cientistas, CITAÇÕES, construtivismo, desconstrução, Emilia Ferreiro, escritores, famosas, filósofos, frases, humanidade, ideias, inovações, invenções, marcantes, mundo, pedagoga, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, Piaget, polêmicas, professores, psicóloga, sociedade, wikipedia, wikiwand -
Bauru luta pelo fim dos descontos dos aposentados

A diretoria da Sede Regional Bauru do CPP, representada por Neuza Sampaio, Edinea Cucci, Ivana Fonseca e Venetia Vieira, entregou ao deputado federal Carlos Sampaio, vice-presidente nacional do PSDB, ofício solicitando apoio junto ao governador do Estado e deputados, para que cesse os descontos abusivos do SPPREV para os aposentados.
Edinea Cucci, Carlos Sampaio, Neuza Sampaio, Ivana Fonseca, Rosângela e Magda .
O mesmo pedido, já havia sido feito pessoalmente ao próprio governador Rodrigo Garcia (PSDB), que esteve em Bauru (SP), na última segunda-feira, 30 de maio.
O governador Rodrigo Garcia (PSDB), em Bauru-SP, na última segunda-feira, 30 de maio.
ENTENDA O CASO
CPP apoia projeto que põe fim aos descontos previdenciários para aposentados e pensionistas
O Centro do Professorado Paulista está mobilizado com a Frente Paulista em Defesa do Serviço Público para revogar o Decreto 65.021/2020, imposto pelo então governador de São Paulo, João Doria (PSDB), baixado pouco mais de três meses após aprovação da reforma previdenciária paulista, que aumentou as contribuições e criou dificuldades para a aposentadoria dos servidores do estado.

Venetia Vieira, diretora social da Regional Bauru do CPP “Para conseguirmos reverter essa situação, precisaremos de toda ajuda possível. O CPP continuará fazendo seu papel, levando a insatisfação dos nossos aposentados, até às mãos do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa de São Paulo. E agradecemos demais o empenho de nossa diretora Neuza Sampaio, neste contato com o deputado e o esforço dela e da vice-diretora Edineia Cucci, para a entrega do documento em mãos do governador Rodrigo Garcia, no dia 30.”
O confisco é pesado
O detalhe é que a mudança foi adotada sem nenhuma comprovação de “déficit atuarial”, como prevê o próprio decreto.
Em reação, há ações judiciais ajuizadas por dezenas de entidades representativas, assim como manifestações para barrar o desconto.
Foram apresentados cinco projetos de decreto legislativo (PDL) para anular a sobretaxação dos aposentados e pensionistas:
* PDL 22/20 – Carlos Giannazi (PSOL)
* PDL 23/20 – Delegada Graciela (PL)
* PDL 24/20 – Campos Machado (PTB)
* PDL 39/20 – Professora Bebel (PT)
* PDL 40/20 – Agente Federal Danilo Balas (PSL)

Carlos Sampaio, Neuza Sampaio, Ivana Fonseca, Rosângela e Magda. -
Conhece a Ti Mesmo

“Antes tarde do que nunca.”
– Provérbio Grego • “Κάλλιο αργά, παρά ποτέ.”
“O homem é por natureza um animal político.”
– Aristóteles • Livro I, 1253.a2
“Educai as crianças e não será preciso punir os homens.”
– Pitágoras, filósofo e matemático grego.
– Citado em “Prevenção e repressão da criminalidade” – página 130, Orlando Soares – Livraria Freitas Bastos,1983 – 179 páginas
Templo de Apolo em Delfos
Conhece a ti mesmo
É uma das máximas délficas e foi inscrita no pronau (pátio) do Templo de Apolo em Delfos de acordo com o escritor Pausânias (10.24.1).[2]
Em latim a frase, “conhece a ti mesmo”, é geralmente dada como Nosce te ipsum[3] ou temet nosce.[4]
O aforismo tem sido atribuído a diferentes antigos sábios gregos:
-
- Misão de Quene[9]
As ruínas do Templo de Apolo hoje visíveis datam do século IV a. C., e são de um edifício dórico peripteral.
Foi erguido por Espíntaro, Xenodoros e Agathon nos restos de um templo anterior, datado do século VI a. C., que por sua vez foi erguido no local de uma construção do século VII a. C. atribuída aos arquitetos Trofônio e Agamedes.[1]
“A admiração é o sentimento de um filósofo,
e a filosofia começa pela admiração.”
– Sócrates, em Teeteto 150c, de Platão
Templo de Apolo em Delfos
“A esperança é o único bem comum a todos os homens;
aqueles que nada mais têm ainda a possuem.”
– Tales de Mileto como citado in: Rosa Dourada
– Página 14, Rosângela Isabel Teixeira Coelho Dos Santos – 2006
Sabedoria
O termo encontra definições distintas conforme a ótica filosófica, teológica ou psicológica.
No sentido comum, a sabedoria é a qualidade que dá sensatez, prudência, moderação à pessoa, ao passo em que para a religião é o “conhecimento inspirado nas coisas divinas e humanas“.[1]
A sabedoria está associada a atributos como juízo sem viés, compaixão, autoconhecimento experiencial, autotranscendência e não apego,[4] e a virtudes como ética e benevolência.[5][6]
“Prefiro uma gota de sabedoria, a toneladas de riqueza.”
– citado em “Dicionário de pensamentos: máximas, aforismos, paradoxos, provérbios, etc …”
– Página 438, de Folco Masucci – Ed. Leia, 1968, 6a. ed. – 685 páginas
Sabedoria do grego “sophia” (σοφία), é o que detém o “sábio” (em grego “sophos” (σοφός));
Sapiência ou sagacidade. Condição de quem tem conhecimento, erudição. O equivalente em grego “sofia”, é o termo que equivale ao saber; O termo encontra definições distintas conforme a ótica filosófica, teológica ou psicológica.
FONTES
Anaxágoras, Apolo, Aristóteles, artistas, Brasil, cientistas, CITAÇÕES, Delfos, escritores, famosas, filósofos, frases, Grécia Antiga, grego, gregos, humanidade, ideias, inovações, invenções, marcantes, mundo, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, Pitágoras, Platão, polêmicas, professores, provérbio, sabedoria, Sócrates, sociedade, Tales de Mileto, Templo, wikipedia, wikiwand -
Estudantes promovem gincana para aumentar a doação de sangue

Alunos do Colégio Marista Glória, localizado em São Paulo, realizam a campanha de 1º a 19 de junho
Como forma de incentivo à solidariedade para este ato que salva vidas, alunos do Colégio Marista Glória, localizado na Zona Central de São Paulo (SP), estão promovendo de 1º a 19 de junho, uma campanha de doação de sangue.
FONTE: CPP CENTRAL
A iniciativa é do Núcleo de Pastoral do Colégio e faz parte da programação do Festival Champagnat, um tradicional evento Marista, que promove atividades esportivas, culturais e sociais, com ênfase na fraternidade e na solidariedade, e tem a mecânica de uma gincana, contando pontos para as turmas que mais doarem.
Além dos alunos, voluntários de toda a sociedade podem participar doando sangue em qualquer instituição, apadrinhando uma turma e mandando para o Colégio Marista Glória a indicação da equipe escolhida, o comprovante da doação.
Esse contato deve ser feito pelo e-mail ► gloria-pastoral@colegiosmaristas.com.br.
Para doar é preciso:
• Estar em boas condições de saúde;
• Ter entre 16 e 69 anos (menores, a partir dos 16 anos podem doar acompanhados de um dos pais ou responsável legal; maiores de 65 anos só podem doar se já doaram antes dos 60 anos);
• Pesar mais de 50 kg;
• Estar descansado (ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas);
• Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa duas horas antes da doação);
• Portar documento oficial com foto (obrigatório);
Alguns locais indicados para a doação / Banco de Sangue de São Paulo
- Unidade Paraíso (Nova Unidade Brigadeiro)
Rua Tomás Carvalhal, 711 – Paraíso
Atendimento: Segunda a sexta, das 08h às 17h, e sábado, das 08h às 16h. Contato: (11) 3373-2050 | (11) 3373-2000
Estacionamento grátis durante a doação no Matsubara Hotel (Conveniado): R. Tomás Carvalhal, 480
- Unidade Hospital Edmundo Vasconcelos
Rua Borges Lagoa, 1450 – Vila Clementino
Atendimento: Segunda a sábado, das 08h ao 12h. Contato: (11) 5080-4435
Estacionamento grátis no local.
- Colsan Sociedade Beneficente Coleta Sangue (11 postos de coleta) Telefone: (11) 5055-1250
- Fundação Pró-Sangue – Hemocentro de São Paulo
Posto Clínicas: Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 155, 1º andar – Cerqueira César – São Paulo
Posto Dante Pazzanese: Av. Dr. Dante Pazzanese, 500 – Ibirapuera – São Paulo. Telefone: 0800 55 0300
- Banco de Sangue Paulista
Unidade Central – Vila Nova Conceição: R. Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 46 – 5º, 14º, e 15º Andares – Vila Nova Conceição
Telefone: (11) 3048-8969 (tronco).
- Instituto Hospital Oswaldo Cruz – banco de sangue hemoterapia
Rua Treze de Maio, 1815 e Rua João Julião, 331. Paraiso – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3286-7372

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No Coração do Sertão

“As pessoas não morrem, ficam encantadas.”
– Guimarães Rosa
Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa
(Cordisburgo, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967)
escritor, médico e diplomata
Foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, além de ser o segundo marido de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa[1], conhecida como “Anjo de Hamburgo”.
Os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro.
“O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita.”
– Guimarães Rosa
A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas[3].
BIOGRAFIA e CITAÇÕES
Foi o primeiro dos seis filhos de Florduardo Pinto Rosa (“Flor”) e de Francisca Guimarães Rosa (“Chiquitita”).
Começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês quando ainda não tinha 7 anos, como se pode verificar neste trecho de entrevista concedido a uma prima, anos mais tarde:
“Saudade é ser, depois de ter.”
– Guimarães Rosa
Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras.
Mas tudo mal.
E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.
“A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.”
– Guimarães Rosa
Ainda pequeno, mudou-se para a casa dos avós, em Belo Horizonte, onde concluiu o curso primário. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João del-Rei, mas logo retornou a Belo Horizonte, onde se formou. Em 1925 matriculou-se na então “Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais”, com apenas 16 anos[3].
Em 27 de junho de 1930 casou-se com Lígia Cabral Pena, de apenas 16 anos, com quem teve duas filhas: Vilma e Agnes.
Ainda nesse ano se formou e passou a exercer a profissão em Itaguara, então município de Itaúna (MG), onde permaneceu cerca de dois anos. Foi nessa localidade que passou a ter contato com os elementos do sertão que serviram de referência e inspiração a sua obra[4].
“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”
– Guimarães Rosa
De volta de Itaguara, Guimarães Rosa serviu como médico voluntário da Força Pública (atual Polícia Militar), durante a Revolução Constitucionalista de 1932, indo para o setor do Túnel em Passa-Quatro (MG) onde tomou contato com o futuro presidente Juscelino Kubitschek, naquela ocasião o médico-chefe do Hospital de Sangue.
Posteriormente, entrou para o quadro da Força Pública, por concurso.
Em 1933 foi para Barbacena na qualidade de Oficial Médico do 9º Batalhão de Infantaria. Aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos de sua vida como diplomata na Europa e na América Latina[2].
No início da carreira diplomática, exerceu, como primeira função no exterior, o cargo de Cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942.
No contexto da Segunda Guerra Mundial, para auxiliar judeus a fugir para o Brasil, emitiu, ao lado da segunda esposa, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, mais vistos do que as cotas legalmente estipuladas, tendo, por essa ação humanitária e de coragem, ganhado, no pós- Guerra, o reconhecimento do Estado de Israel.

Guimarães Rosa (João) ao lado da segunda esposa, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (Ara). Aracy é a única mulher homenageada no Jardim dos Justos entre as Nações, no Yad Vashem que é o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto.
No Brasil, em sua segunda candidatura para a Academia Brasileira de Letras, foi eleito por unanimidade (1963).
Temendo ser tomado por uma forte emoção, adiou a cerimônia de posse por quatro anos. Em seu discurso, quando enfim decidiu assumir a cadeira da Academia, em 1967, chegou a afirmar, em tom de despedida, como se soubesse o que se passaria ao entardecer do domingo seguinte: “…a gente morre é para provar que viveu.”[5]
Faleceu três dias mais tarde na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de novembro.
Seu laudo médico atestou um infarto, porém sua morte permanece um mistério inexplicável, sobretudo por estar previamente anunciada em sua obra mais marcante — Grande Sertão: Veredas —, romance qualificado por Rosa como uma “autobiografia irracional”[4].
Talvez a explicação esteja na própria travessia simbólica do rio e do sertão de Riobaldo, ou no amor inexplicável por Diadorim, maravilhoso demais e terrível demais, beleza e medo ao mesmo tempo, ser e não-ser, verdade e mentira, estar e não estar.
Diadorim-Mediador, a alma que se perde na consumação do pacto com a linguagem e a poesia.
Riobaldo (Rosa-IO-bardo), o poeta-guerreiro que, em estado de transe, dá à luz obras-primas da literatura universal.
Biografia e ficção se fundem e se confundem nas páginas enigmáticas de João Guimarães Rosa, desaparecido prematuramente aos 59 anos de idade, no ápice de sua carreira literária e diplomática[2].
Foi sepultado no panteão da Academia Brasileira de Letras no Cemitério de São João Batista na cidade do Rio de Janeiro.
Citações e Fontes
– citado em “Relembramentos, João Guimarães Rosa, meu pai: João Guimarães Rosa, meu pai” – Página 27, de Vilma Guimarães Rosa – Publicado por Nova Fronteira, 1983 – 457 páginas
- “Saudade é ser, depois de ter.”
– citado em “Rosiana: uma coletânea de conceitos, máximas e brocardos de João Guimarães Rosa” – Página 68, de João Guimarães Rosa, Paulo Rónai – Publicado por Salamandra, 1983 – 93 páginas
- “O amor é sede depois de se ter bem bebido.”
– Noites do sertão: “Corpo de Baile” – Página 61, de João Guimarães Rosa – Publicado por J. Olympio, 1965 – 251 páginas
- “Esperar é reconhecer-se incompleto.”
– Tutaméia: terceiras estórias – Página 38, de João Guimarães Rosa – Publicado por Livraria J. Olympio, 1969 – 201 páginas
- “Infelicidade é questão de prefixo.”
– Tutaméia: terceiras estórias – Página 76, de João Guimarães Rosa – Publicado por Livraria J. Olympio, 1969 – 201 páginas
- “Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muitos vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens.”
– entrevista a Giinter Lorenz, em janeiro de 1965, citado em “Uma cantiga de se fechar os olhos –“: mito e música em Guimarães Rosa – Página 74, de Gabriela Reinaldo – Publicado por Annablume, 2005 ISBN 8574195693, 9788574195698 – 239 páginas
Grande Sertão Veredas
- “Mas quem é que sabe como? Viver… o senhor já sabe: viver é etcétera…”
– Grande sertão: veredas – Página 90, de João Guimarães Rosa – Publicado por J. Olympio, 1958 – 571 páginas
- “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.
– Grande sertão: veredas – Página 16, de João Guimarães Rosa – Publicado por J. Olympio, 1958 – 571 páginas
- “A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.”
– Grande sertão: veredas – Página 57, de João Guimarães Rosa – Publicado por J. Olympio, 1958 – 571 páginas
- “Eu eu? Eu eu?”
– Grande sertão: veredas – Página 82, de João Guimarães Rosa – Publicado por J. Olympio, 1958 – 571 páginas
- “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimentos, uns com os outros acho que nem se mistura.”
– Grande sertão: veredas – Página 114, de João Guimarães Rosa – Publicado por Editora Nova Fronteira, 2005 – 624 páginas
- ” Mire veja: sabe por que é que eu não purgo remorso? Acho que o que não deixa é a minha boa memória. A luzinha dos santos-arrependidos se acende é no escuro.”
– Grande sertão: veredas – Página 160, de João Guimarães Rosa – Publicado por Editora Nova Fronteira, 2005 – 624 páginas
- “Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do macio do meio do fel do desespero. Ao que, este mundo é muito misturado…”
– Grande sertão: veredas – Página 237, de João Guimarães Rosa – Publicado por Editora Nova Fronteira, 2005 – 624 páginas
- “O que tivesse de ser, somente sendo. Não era nem o Hermógenes, era um estado de lei, nem dele não era, eu cumpria, todos cumpriam.”
– Grande sertão: veredas – Página 225, de João Guimarães Rosa – Publicado por Editora Nova Fronteira, 2005 – 624 páginas
- “Ao que naquele tempo, eu não sabia pensar com poder. Aprendendo eu estava? Não sabia pensar com poder – por isso matava.”
– Grande sertão: veredas – Página 362, de João Guimarães Rosa – Publicado por Editora Nova Fronteira, 2005 – 624 páginas
- “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
- “As pessoas não morrem, ficam encantadas.”
- “Passarinho que se debruça – o voo já está pronto!”
- “Pão ou pães é questão de opiniães.”
- “Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça dos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.”
- “Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total.”
- “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”
- “Que Deus existe, sim, devagarinho, depressa. Ele existe – mas quase só por intermédio da ação das pessoas: de bons e maus. Coisas imensas no mundo. O grande-sertão é a forte arma. Deus é um gatilho?”
- “”Vida” é noção que a gente completa seguida assim, mas só por lei duma idéia falsa. Cada dia é um dia.”
- “O senhor não esteve lá. O senhor não escutou, em cada anoitecer, a lugúmem do canto da mãe-da-lua. O senhor não pode estabelecer em sua ideia a minha tristeza quinhoã. Até os pássaros, consoante os lugares, vão sendo muito diferentes. Ou são os tempos, travessia da gente?”
- “Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.”
- “Viver é negócio muito perigoso.”
- “Raiva tampa o espaço do mêdo, assim como do mêdo raiva vem.”
- “Conto o que fui e vi, no levantar do dia. Auroras.”
Manuelzão e Miguilim
- “Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!”
- “- Dito, eu às vezes tenho uma saudade de uma coisa que eu não sei o que é, nem de donde, me afrontando…”
- “E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma idéia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: – ‘Uai, Mãe, hoje já é amanhã?!’”
- “Um dia, tempos, Tio Terêz o levara à beira da mata, ia tirar taquaras. A gente fazia um feixe e carregava. ‘- Miguilim, este feixinho está muito pesado para você?’. ‘- Tio Terêz, está não. Se a gente puder ir devagarinho como precisa, e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais, então eu acho que nunca que é pesado…’ “
A Terceira Margem do Rio
- “Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rioa dentro — o rio.”
Sobre
- “Ele é um ícone da língua portuguesa, inventa o idioma ao mesmo tempo que constrói seus personagens. Não cheguei a ter dúvidas. Ela faz parte da minha vida pessoal. Guimarães Rosa é um profundo conhecedor da alma humana e o livro tem um diálogo com a morte, a coragem, os desejos. Algo que te dá mais intimidade contigo mesmo”
–Lessa, sobre Grande Sertão: Veredas. http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/leimprensa.php? id=70133
Atribuídas
– citado em “Guimarães Rosa” – página 89, Eduardo de Faria Coutinho – Civilização Brasileira, 1983 – 579 páginas– entrevista a Gúnther W. Lorenz como citado in: Caderno de fogo: ensaios sobre poesia e ficção – Página 60, Carlos Nejar – Escrituras Editora, 2000, ISBN 858630378X, 9788586303784, 135 páginas
Veja também
- Grande Sertão: Veredas (livro, 1956)
- O Diálogo de João Evangelista e João Guimarães Rosa: o Encontro do Evangelho com a Literatura – Minicurso do Centro Loyola de Fé e Cultura / PUC-Rio em NOV/2010 (em português)
- 24 Cartas de João Guimarães Rosa a Antonio Azeredo da Silveira (em português)
Referências
Guimarães Rosa
Nascimento 27 de junho de 1908
Cordisburgo,
Minas GeraisMorte 19 de novembro de 1967 (59 anos)
Rio de Janeiro,
GuanabaraNacionalidade
brasileiroAlma mater Universidade Federal de Minas Gerais Ocupação Escritor, médico, diplomata Prémios Prêmio Machado de Assis 1961
Prêmio Jabuti 1993Gênero literário Romance, conto Prosa Movimento literário Modernismo Magnum opus Grande Sertão: Veredas ARTIGO
O Amor, segundo Guimarães Rosa
Revista Época – Eliane Brum (Setembro de 2008)
João Guimarães Rosa escreveu 107 cartas e 44 cartões-postais, bilhetes e telegramas para a grande companheira de sua vida, Aracy Moebius de Carvalho. A pesquisa deste acervo, que se estende de 24 de agosto de 1938 a 18 de agosto de 1960, é realizada por duas estudiosas da obra do escritor, Neuma Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará, e Elza Miné, da Universidade de São Paulo. Elas preparam uma biografia de Aracy, que deverá ser lançada ainda no centenário de seu nascimento, que se encerra em 20 de abril.
A correspondência amorosa revela a presença central de Aracy nas várias dimensões da vida do escritor. As cartas contêm paixão, mas também muita cumplicidade. Nos 30 anos em que Rosa viveu com Aracy, ele produziu toda a sua obra literária. Confira trechos inéditos de cartas de amor de “Joãozinho” para “Ara”:
Romance com pitadas de humor:
“Amor adorado, Felicidade da minha vida!
Nem era preciso que você me falasse nisso de passar o meu aniversário aqui, junto do amor da minha Ara e dos olhos bonitos da minha Duselita! Acho absurdo o que você escreveu. Nem a presença da Greta Garbo, do Presidente Roosevelt, de Wally Windsor, de Rothschild, de Maurice Chevalier, de Getúlio Vargas, de Inge List, de Litsi Waldmüller, da Baronesa de Scharfenstein, do Papa Pio XI, da Zara Leander, do Delegado do Tesouro em Londres, de Yenny Yugo, de Hermann Göring, de Beata, de Miss Universo-1939, de Stalin, do Diretor da Fábrica Mercedes-Benz, de Einstein, de Cilly Feindt, de La Jana (ou Yana?), do Imperador Hirohito, de Norma Shearer, do Xá da Pérsia, das 5 irmãs Dionne, do General von Brauchitsch, de Mattos Pimentel, das 3 irmãs Kotanyi, de NINGUÉM (!) poderá ser comparado à presença do meu amor. Beijo os dedinhos dos teus pés“.
“Dr. J. Guimarães Rosa Médico
Para a Ara:
Uso int.Solução concentrada de amor – 5,0grs.
Extracto fluido de paciência – 30 gotas
Tintura de espírito de justiça – 2,0grs.
Hydrolato de calma suave -q.s.para 150c.c.
Te. 1 colher das de sopa, de 2/2 horas, durante 3 meses“.“Comi ‘tagliatelli’, como comíamos no Ferrari, e pensei na Ara o tempo todo… O pior é que tomei vinho, não graduei bem a dose, e voltei logo para o hotel, dormindo cedo. No fundo, predomina em mim o natural caseiro, de ‘gatão’, como dizes, e sou quem menos se diverte, à noite. Gostaria de ver mais coisas, para poder depois contar-te, mas o Joãozinho teu é sempre o mesmo Joãozinho…” ( Paris – 20/09/1946)
Amor e literatura:
“Espero que, ao regressares, já encontrarás o nosso Sagarana a tua espera (…) quando vires coisas interessantes ou pitorescas, vai tomando notas, que podem servir para algum próximo livro.” (Rio de Janeiro, 28/02/1946)“Não me descrevas os belos passeios a cavalo que fizeres, deixando para contar e recontar tudo depois, quando voltares, e aos poucos, como sabes que aprecio. Podes, isso sim, é tomar notas interessantes, pois tens memoriazinha vagabundinha, e eu não quero perder detalhe, a aproveitar para outros livros que escreverei.” (08/03/1946)
“Pedir-te-ei pelo menos mais umas duas excursões, diferentes, especialmente para mim: para tomares nota das paisagens, e fornecê-las ao teu maridinho, para o nosso próximo livro (…) Houve demora, quanto ao Sagarana nosso, porque as provas estiveram extraviadas. Mas já voltaram para a gráfica; e, como estavam sem nem um erro, espero que o colosso estará pronto, por ocasião do teu regresso.” (12/03/1946)
“Parece quase certo que vou ganhar o Prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira. Segunda-feira, começarei a trabalhar nos outros livros. Sagaranacontinua ribombando, como um nouveau riche. A revista Rio trouxe uma bela nota. Aquele sujeitinho do Cruzeiro, que uma vez escreveu contra, voltou a escrever. Sempre antipático, mas voltando atrás e reconhecendo que o livro foi o melhor do ano. Meus amigos gozaram com esse espetacular recuo público (…) O sujeitinho escreveu só porque o rapaz que faz a seção estava ausente, em férias, e ele aproveitou a folga para meter o bedelho.” (11/01/1947)
“Preciso mais de você do que de aipim e de recortes do Lux-Jornal elogiando Sagarana. É verdade”. (03/02/1947)
Impressões amargas na Europa do Pós-Guerra:
“(…) Chegamos a Berlim às 6 e meia da tarde. Agradeci a Deus que não estivesses comigo, pois a chegada foi uma das cenas mais tristes que já contemplei na vida. Ao baixar o avião, contemplávamos as imensas ruínas, o esqueleto lúgubre da grande capital, com as ruas vazias. (…) Ruas e ruas, quase desertas de povo, quase sem uma casa intacta, num ambiente funéreo, apesar da tarde estar belíssima. Já fora do centro, nas imediações do Wannsee, via-se mais gente, e mais casas preservadas, com moças, velhas, velhos e crianças, transitando. Fomos levados a um ‘Mess Club´ americano, onde ficamos hospedados. A casa, muito bonita, fora do Reichsminister Funk. (…) Imagine, querida, a minha emoção ao entrarmos na casa: vi logo a sala de jantar, com uma orquestra tocando, e o amplo terraço. Senti um baque no coração, ao recordar aquele dia que ali estivemos, e tomamos chá num restaurante bonito: a mim, no primeiro momento, pareceu-me ter sido ali, naquela mesma casa, e nem posso dizer-te o que senti! Logo depois, durante o jantar, eu me sentia sufocado, transtornado, presa de angustiosa pressão emotiva. Recordava, isto é, queria recordar, em poucos minutos, os quatro anos que vivemos naquele país; e tudo era tristeza e saudade. Perguntei ao garçon se os músicos eram alemães e se podiam tocar música alemã, em vez dos tangos argentinos com que estavam nos mimoseando. (…) encomendei um pequeno programa: Lili Marleen, Muenchen steht ein Hofbrauhaus, Sag’beim Abschied leise Servus, e outras. A saudade de ti ainda foi mais forte, ao escutar aquela canção: ´Auf der Reeperbahn um halb eins…´ nem saberia dizer-te tudo o que andou, então, no meu coração e na minha cabeça, querida minha. (…) fui de automóvel, com Luise e o Coronel Lyra percorrer a cidade. Passeio triste, pois Berlim é hoje um espectro de cidade, uma cidade espectral. Quase tudo destruído: toda a Kurfuerstendamm são duas tétricas filas de ruínas; a Embaixada destruída; o consulado, idem; o Éden Hotel, a KDW, o Adlon, o Venezia, tudo, tudo. (…) A Friedrichstrasse, a Wilhelmstrasse, nelas não sobrou casa. Nunca imaginei que pudesse sofrer tanto uma cidade tão grande. Tétrica foi a visita à Reichskarlei, ou ao que dela resta, denegrido, quebrado, incendiado, espedaçado. Enfim, não digo mais, pois seria uma infindável enumeração de ruínas. (A Luise) contou-me horrores, descreveu-me os seus sofrimentos, nos dias terríveis do fim da guerra, e depois. É muita coisa a contar-te, quando estivermos juntos.(…)(Em Berlim) os bondinhos amarelos circulam, mas poucos. Há trens também. A miséria é tremenda. Um cigarro custa 6 marcos, e só no mercado negro. Assim, um cigarro é uma boa gorgeta, 3 cigarros uma gorgeta régia. Há gente transitando, no centro da cidade, pois aqui e ali sempre salvou-se uma casa ou um cômodo entre os escombros. Em geral vêem-se as paredes dos edifícios, destelhados, queimados, medonhos. Hoje em dia, Berlim é a capital da tristeza, das ruínas, dos mistérios. Todos têm um medo horrível dos russos, e julgam-se felizes os que podem morar nos setores inglês, francês ou americano.(…)
Como vês, foi uma excursão triste e deprimente, que me fez pensar muito. Afinal, talvez tenha sido melhor não ter podido ir até Hamburgo, pois a vista das suas ruínas me faria adoecer de tristeza, ao lembrar-me do lindo tempo que ali vivemos juntos, querida minha. (…)
Bem, meu amor, perdoe-me esta carta triste e cheia de coisas feias, mas não podia deixar de narrar-te tudo, desde já. Quando aí chegar, contarei mais coisas, do que vi e ouvi. (…)
Fiquei até com inveja, ao ver o Marinho com a mulherzinha dele: se fosse a minha Ara quem aqui estivesse chegando, Paris passaria a ser realmente, para mim, a mais bela das cidades. Infel
FONTES
aracy, artistas, Brasil, cientistas, CITAÇÕES, documentário, escritores, famosas, filósofos, fotos, frases, grande sertão veredas, guimarães rosa, humanidade, ideias, inovações, invenções, marcantes, mundo, obras, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, polêmicas, professores, sociedade, vídeo, wikipedia, wikiwand
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