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O Ator Atrás do Mito

“Povo de Sucupira. É com a alma lavada e enxaguada …”
– Odorico Paraguaçu
Paulo Gracindo
Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo
(Rio de Janeiro, 16 de julho de 1911 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1995)
Paulo Gracindo se considerava alagoano, pois foi viver em Maceió ainda bebê.
“Vamos botar de lado os entretanto e partir logo pros finalmente.”
– Odorico Paraguaçu
Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo em ‘A Falecida’.
Sonhava ser ator, o pai era um obstáculo, e lhe dizia No dia em que você subir a um palco, saio da plateia e te arranco de lá pela gola.
Paulo Gracindo respeitou a proibição até a morte do pai.
“Isto deve ser obra da esquerda comunista, marronzista e badernenta.”
– Odorico Paraguaçu
Aos vinte anos, mudou-se para o Rio, dormiu na rua e passou fome.
Investiu num namoro com a filha de um português para entrar no grupo de teatro de maior prestígio da época, o Teatro Ginástico Português.
“Precisamos urgentilissimamente, inaugurar este cemitério.”
– Odorico Paraguaçu
Paulo Gracindo e Elizângela em Bandeira 2, novela de Dias Gomes dirigida por Daniel Filho, em 1972.
Num dos primeiros trabalhos, a personagem de Gracindo ficava dois minutos no palco, o que levou um crítico a fazer o seguinte comentário:
“De onde veio esse rapaz que não faz nada e aparece tanto?”
Paulo Gracindo contracena com seu filho, Paulo Gracindo Jr.
Participou das maiores companhias teatrais dos anos 30 e 40.
Fez sucesso na Rádio Nacional, apresentando o Programa Paulo Gracindo.
O filho de Paulo Gracindo, Gracindo Jr, ainda criança.
Com a radionovela O Direito de Nascer, encantou no papel de Alberto Limonta; e no programa de rádio Balança mas Não Cai interpretou, com Brandão Filho, o quadro do Primo Pobre e Primo Rico.
Na televisão fez personagens inesquecíveis, como o Tucão da telenovela Bandeira 2 (1971), o Coronel Ramiro Bastos em Gabriela (1975), o João Maciel de O Casarão (1976), o padre Hipólito de Roque Santeiro (1985) e o Primo Rico, no humorístico Balança mas Não Cai.
“Vamos dar uma salva de palmas a esta figura trepidante
e dinamitosa que foi o Seu Nono.”
– Odorico Paraguaçu
Mas, o mais marcante foi o prefeito Odorico Paraguaçu, de O Bem Amado de Dias Gomes (1973; 1980-1984).
Em 1990, atuou em Rainha da Sucata como o Betinho (Alberto Figueiroa), nas quais tinha um bordão que ficou muito conhecido, o famoso “coisas de Laurinha!”.
Os atores Lima Duarte (esquerda) e Paulo Gracindo contracenam em ‘O Bem Amado’.
Fez poucos filmes, mas foi um dos atores preferidos da geração do Cinema Novo.
Fez um papel em Terra em Transe, de Glauber Rocha. Achava a sétima arte complicada demais: É coisa de chinês, dizia.
Morreu aos 84 anos. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.
“Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país.”
– Odorico Paraguaçu
Gracindo Jr. e os filhos na peça ‘Canastrões’
É pai do também ator Gracindo Júnior, e avô dos atores Gabriel Gracindo, Pedro Gracindo e Daniela Duarte.
Carreira
Na televisão
Ano Título Papel 1967 A Rainha Louca Conde Demétrius 1968 A Gata de Vison Pat O’Hara[1] 1970 A Próxima Atração Borges 1971 Bandeira 2 Artur do Amor Divino (Tucão) O Cafona Fred da Silva Barros 1973 O Bem-Amado Odorico Paraguaçu Os Ossos do Barão Antenor Camargo Parente de Rendon Pompeo e Taques 1975 Gabriela Ramiro Bastos 1976 O Casarão João Maciel 1978 Sinal de Alerta Tião Borges 1979 Pai Herói Dr. Caio 1980–1984 O Bem-Amado Odorico Paraguaçu 1984 Caso Verdade, Esperança João Alfaiate 1985 Roque Santeiro Padre Hipólito 1986 Hipertensão Candinho 1987 Mandala Vovô Pepê (Perácio Silveira) Expresso Brasil Odorico Paraguaçu / Tucão 1990 Rainha da Sucata Betinho (Alberto Figueroa) 1991 Vamp Arlindo Cachorrão 1992 Deus nos Acuda Embaixador Harold Cross 1993 Agosto Emílio No cinema
Ano Título Papel 1937 João Ninguém 1938 Tererê não Resolve Homem no Baile 1939 Anastácio Azevedo Está Tudo Aí Batista Onde Estás Felicidade? André 1941 24 Horas de Sonho Diretor da Rádio O Dia É Nosso Campos 1950 Estrela da Manhã 1953 Balança, mas não Cai Primo Rico[2] 1957 De Pernas pro Ar 1962 Copacabana Palace 1965 A Falecida João Guimarães Pimentel 1967 Tarzan and the Great River Professor Terra em Transe Don Julio Fuentes Cara a Cara Hugo Castro Na Mira do Assassinato Promotor 1968 Antes, o Verão Padrasto Copacabana me Engana Alfeu 1969 O Bravo Guerreiro Péricles 1970 Salário Mínimo Roberto 1975 Blablablá Ditador 1978 A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água Quincas Berro D’Água Tudo Bem Juarez Ramos Barata 1979 Amor Bandido Galvão 1986 Trancado por Dentro Bóris 1987 Exu-Pia, Coração de Macunaíma Citação
Paulo Gracindo – O tal de nome artístico foi criado para mim
“Uns me chamavam de Petrópolis, outros de Pelopes. A empregada me chamava de Envelope.”
Paulo Gracindo, que foi batizado como ‘Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo’, no palco mudou o nome Paulo Gracindo para facilitar a vida dos outros, como ele dizia a todos. / Fonte: Wikiwand
Paulo Gracindo
Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo
(Rio de Janeiro, 16 de julho de 1911 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1995)
FONTES
artistas, biografia, Brasil, cientistas, CITAÇÕES, escritores, famosas, filósofos, frases, humanidade, ideias, inovações, invenções, marcantes, mundo, Odorico Paraguaçu, Paulo Gracindo, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, polêmicas, povo, professores, sociedade, Sucupira, wikipedia, wikiwand -
Diretora do CPP • Neuza Aracy Costa Sampaio


NEUZA ARACY COSTA SAMPAIO
Diretora do CPP Bauru
( 14 ) 981.421.052
Nessa entrevista gravada para a Bauru TV, em 2016, a professora Neuza Sampaio fala do início da carreira, do seu trabalho no CPP e de sua família, filhos e netos.
CPP BAURU ☺ PERFIL
A apresentação em vídeo, fotos e textos, da professora Neuza Aracy Costa Sampaio, com resumo detalhado de suas atividades profissionais, como professora, diretora, supervisora de ensino, e há décadas, representante do professorado paulista. Atualmente, é a diretora do CPP de Bauru, além de conselheira.

NEUZA SAMPAIO
Começou a carreira com a formação no curso ‘Normal‘, como era chamado na época o curso de preparação para o magistério.
Em seguida, ministrou suas primeiras aulas como professora.
Depois, obteve a Licenciatura Plena em Pedagogia, com habilitação em Administração e Supervisão Escolar.
Fez diversos cursos de especialização e treinamentos, até ser diretora de escola.
Aposentou como supervisora de ensino.
Atualmente, é a diretora do Centro do Professorado Paulista (CPP), de Bauru.
A professora Neuza Sampaio, que também faz parte das obras de caridade e evangelização do Centro Espírita “A Serviço do Mestre”, é viúva, tem quatro filhos, alguns netos e bisnetos a caminho.

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POSTS com NEUZA SAMPAIO
Fotos do III Baile da Primavera
Em comemoração ao Dia Mundial do Professor e à chegada da primavera de 2024, o CPP Bauru realizou seu ‘III Baile da Primavera’, que contou com a presença de mais de 150 pessoas e teve muita música, dança, jantar italiano e bolo para fechar a celebração. Confira as fotos do evento, que contou com a…
Entrevista da Semana do Jornal da Cidade com Neuza Sampaio
Uma vida dedicada à educação • Dos 78 anos de idade, 60 foram voltados ao desenvolvimento de alunos e escolas, além de defender a categoria na direção do CPP. Contribuir para a construção de dez escolas estaduais de Bauru – “Quanto maior o âmbito de atuação, mais pessoas são abrangidas pelo seu trabalho.”
CPP Bauru presente em São Paulo para a posse da Presidente
As professoras Neuza Sampaio, Edinea Cucci e Venetia Vieira, representando nossa diretoria, participaram da cerimônia em que a professora Loretana Paolieri assumiu em definitivo a Presidência do CPP. O professor José Maria, afastado por motivos de saúde, recebeu homenagens por seus serviços, através de seu filho.
GALERIA de FOTOS





















FILHOS

Os filhos de Neuza: Ricardo, Ester, Aloísio e Artur.
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CPP Bauru presente em São Paulo para a posse da Presidente

Neste 10 de junho, a professora Loretana Paolieri Pancera assumiu a presidência do CPP, após o então presidente, professor José Maria Cancelliero, renunciar ao cargo.
As professoras Neuza Sampaio, Edinea Cucci e Venetia Vieira, representando nossa diretoria, participaram da cerimônia em que a professora Loretana Paolieri assumiu em definitivo a Presidência do CPP.
O filho do professor José Maria Cancelliero, afastado por motivos de saúde, recebeu de todos, homenagens pelos serviços prestados por seu pai, ao Centro do Professorado Paulista. O filho, tem o mesmo nome do pai – José Maria Cancelliero Júnior.
As professoras Neuza Aracy Costa Sampaio, Edinea Sita Cucci e Venetia Aparecida de Lima Vieira, estão representaram Bauru nesse evento.
GALERIA DE FOTOS
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Eventos do Junho Violeta começam nesta quarta em Bauru

No Teatro Municipal amanhã (15) a partir das 13:30, acontecerão três apresentações em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa: dança com o Grupo da 3ª Idade da USP/USC, canto com o Coral Feminino do CPP e a peça “Tudo por Amor” do Programa Revivendo 60+USP.
CONFIRA TODA A PROGRAMAÇÃO
15 DE JUNHO • Apresentações no Teatro Municipal
21 DE JUNHO • Palestra híbrida, com a enfermeira Keila Schiavo
25 DE JUNHO • Caminhada
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Um livro, uma guerra e o fim da escravidão

“Nunca desista, pois esse, é justamente o lugar e a hora, em que a maré vai virar.”
“Never give up, for that is just the place and time that the tide will turn.”
— Harriet Stowe
Portrait of Harriet Beecher Stowe (1811-1896), 1853. Found in the collection of the Smithsonian National Museum. (Photo by Fine Art Images/Heritage Images/Getty Images)
Harriet Stowe
Harriet Elizabeth Beecher Stowe • nascida Harriet Elizabeth Beecher
(Litchfield, Connecticut, 14 de junho de 1811 — Hartford, 1 de julho de 1896)
abolicionista e escritora estadunidense
Stowe escreveu 30 livros, incluindo romances, três memórias de viagens e coleções de artigos e cartas.
Ela foi influente tanto por seus escritos quanto por suas posições e debates públicos sobre as questões sociais da época.
O mais famoso é o romance Uncle Tom’s Cabin (“A Cabana do Pai Tomás”), alcançou uma audiência de milhões como romance e peça, e tornou-se influente nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, energizando forças antiescravistas no norte estadunidense, enquanto provocava raiva generalizada no sul.
“Amizades são mais descobertas do que feitas.”
“Friendships are discovered rather than made.”
— Harriet Stowe
Ativismo
Harriet se tornou amiga de Calvin Stowe, um professor de teologia.
Após a morte de sua esposa, Calvin se casou com Harriet em 1836 e eles tiveram um longo casamento com sete filhos.
Voltando com seu marido para Nova Inglaterra, os Stowes estavam envolvidos no “ Underground Railroad”, a rede de indivíduos que ajudavam escravos a fugir para segurança. Enquanto eles abrigavam fugitivos, Harriet escutava as suas tristes histórias.
Em 1851 ela foi convidada a escrever para um jornal abolicionista
Seguindo os padrões estabelecidos por autores como Dickens, ela começou um romance em parcelas semanais.
Foi um grande sucesso, executando com quarenta parcelas, e foi publicado como um livro.
“Uncle Tom’s Cabin” (A cabana do Pai Tomás), como foi intitulado, é um romance envolvente que lida abertamente com os horrores da escravidão.
O livro e as peças de teatro nele inspiradas ajudaram a tornar popular vários estereótipos sobre os negros.
Destaque-se a afectuosa mammy (mãezinha) negra; o estereótipo pickaninny referente a crianças negras; e o Uncle Tom (pai Tomás), ou o obediente e serviçal sofredor devoto ao seu patrão ou patroa brancos.
Em anos mais recentes, as associações negativas a Uncle Tom’s Cabin, esconderam, até um certo ponto, o impacto histórico do livro como um “instrumento essencial anti-escravatura.”
Uncle Tom (em português, Tio Tom) é um termo pejorativo nos EUA, usado para descrever um afro-americano que, aparentemente, age de uma forma subserviente às figuras de autoridade do americano branco, ou procurando a integração com este por meio de uma desnecessária acomodação.
No romance, a estória termina com Pai Tomás, um nobre e humilde escravo cristão, sendo espancado até a morte pelo seu mestre por se recusar a revelar a localização de dois fugitivos.
Com suas últimas palavras, Tomás oferece perdão e pronuncia um apelo para a conversão.
O apaixonado e emotivo enredo de “A cabana do Pai Tomás” teve um impacto extraordinário nas pessoas e apelou poderosamente contra a escravidão.
O primeiro romance de grande sucesso, quebrou recordes de publicação, vendendo um milhão de cópias nos Estados Unidos antes da Guerra Civil. Foi um sucesso global com mais de um milhão de cópias vendidas somente na Grã-Bretanha.
Viagens e palestras
Harriet continuou a escrever livros e realizou turnês nacionais e internacionais.
Ela fez três viagens para a Europa onde encontrou com multidões, e conheceu Charles Dickens e a até a Rainha Victoria.
Permaneceu comprometida à reforma social, defendendo melhores direitos legais para mulheres e oportunidades de educação para os escravos recém-libertados.
Ela e seu marido continuaram a viver modestamente e ela doou muito de seus consideráveis lucros para boas causas. Seguido da morte de seu marido, a saúde mental de Harriet declinou e ela morreu em 1895.
“Em maioria, as mães são instintivamente filósofas.”
“Most mothers are instinctive philosophers.”
— Harriet Stowe
FONTES
1852, abolicionista, Abraham Lincoln, americana, artistas, Brasil, cabana, cabin, cientistas, CITAÇÕES, escravagistas, escravidão, escritores, famosas, filósofos, frases, Guerra Civil, Harriet Beecher Stowe, humanidade, ideias, inovações, invenções, livro, marcantes, mundo, pai Tomás, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, polêmicas, professores, sociedade, tio Tomás, uncle Tom, wikipedia, wikiwand, Will Kaufman -
Funcionalismo público fez manifestação em frente à Prefeitura de São Paulo

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Orgulho de Nossas Raízes

“O Glauber [Rocha] sempre me dizia ‘a gente tem que produzir Malês pra você dirigir’. A gente conversou sobre isso em um dos últimos momentos que o vi, antes dele morrer.”
— Antônio Pitanga
– Em entrevista para ‘A Tarde‘, em 11.06.2022
Antonio Pitanga
83 Anos
Antonio Luiz Sampaio[1] (Salvador, 13 de junho de 1939) é um ator brasileiro.
*Observação: O aniversariante e sua família, comemoram o nascimento de Antônio no dia 6 de junho. Não conseguirmos saber a razão para a existência de duas datas. Na Wikipédia, continua a data de 13 de junho.
Mais conhecido pelo nome de Antonio Pitanga.
O sobrenome Pitanga veio do seu papel no filme Bahia de Todos os Santos. Para fazer valer os votos em seu nome quando disputou cadeira na câmara dos vereadores do Rio de Janeiro, tornou-o oficial.
“Os Malês eram os negros do norte da África, que falavam árabe e tinham conhecimento da Física, da Ciência e da Aritmética. Esses caras fizeram uma aliança com os negros do candomblé pra tomar o poder. Não é a história de negros coitadinhos do Pelourinho, são negros que detinham o conhecimento em 1835. Eles são de religião islâmica e compuseram um exército com os negros do candomblé, do catolicismo, e tiveram a capacidade, esse gesto nobre, de compor um exército assim.”
— Antônio Pitanga
– Em entrevista para ‘Carta Capital‘, em 11.06.2022
No cinema fez O Homem que Desafiou o Diabo (2007), Zuzu Angel (2006), Vila Lobos, Uma Vida de Paixão (2000) e mais 54 filmes.
Na televisão participou de novelas como O Clone (2001), Celebridade (2003), A Próxima Vítima (1995) e mais 32 trabalhos, entre novelas e séries. No teatro participou da primeira montagem da peça Após a Chuva (2007/2008)
Vida Pessoal
Foi casado com a atriz Vera Manhães, com quem teve dois filhos que também são atores, Rocco Pitanga e Camila Pitanga.
Antonio Pitanga com a ex-esposa Vera Manhães e sua filha, Camila Pitanga, ainda bebê.
Atualmente está casado com Benedita da Silva, ex-governadora do Rio de Janeiro.
Benedita da Silva e Antonio Pitanga.
Entrevista – Carta Capital
Antônio Pitanga: “A sociedade branca bebe, come e dança a cultura negra”
— Entrevista com Antônio e Camila Pitanga, feita por Larissa Ibúmi Moreira, historiadora, feminista interseccional e escritora
— Publicado em Carta Capital, em 05/02/2017.
Pai e filha, os atores Antônio e Camila Pitanga falam sobre a política e a história do negro no Brasil e sobre o documentário biográfico ‘Pitanga’.
Marcando sua estreia como cineasta, Camila Pitanga esteve na 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes para a exibição do aclamado Pitanga, documentário dirigido em parceria com Beto Brant, que conta a trajetória artística, política e filosófica de seu pai, o também ator Antônio Pitanga, em conversas descontraídas com seus amigos, ex-amores e companheiros de profissão.
Antonio Pitanga com seu filho, Rocco Pitanga.
Projetado em praça pública, no histórico Largo das Forras, o filme sensibilizou a plateia, fez rir e inspirar, alçando o prêmio de melhor longa-metragem pelo júri popular. Está previsto para estrear nos cinemas em abril deste ano.
Os Pitanga, pai e filha, conversaram com CartaCapital sobre o documentário, a questão da mulher negra e a política e a história do negro no Brasil. Confira:
CartaCapital: No documentário, você afirma que negros e mulheres devem se unir, pois compartilham um lugar comum de opressão nesta sociedade. Considerando que a mulher negra sofre duplamente pelo racismo e pelo machismo, como vocês veem o papel do homem negro na luta das mulheres negras?
Antônio Pitanga: Por que não ser aliado? Se acontecer alguma revolução cultural ou social, ela será feita por homens negros e mulheres negras. Por que eu vou ser superior, porque sou homem? Essa cultura machista foi esculpida pelo colonizador branco. Não é minha, não é nossa. Tenho a certeza absoluta que se trata de uma pobreza intelectual e de sentimentos quando o negro não entende a mulher negra e quer fazer dela exatamente o que o branco faz com ele.
Por isso eu entendo minha mãe, Maria da Natividade. Filha e neta de escravas, ela tinha um comportamento de jamais abaixar a cabeça – e trabalhava pros brancos sem salário. Não é porque ela está como uma serviçal que entendia seu potencial e sua riqueza intelectual. Tudo de ruim foi colocado para nós e vamos querer dominar a mulher negra, fazer o que o branco faz com a gente?
Nossa contribuição nessa sociedade brasileira é muito maior. Essa sociedade branca, que não reconhece a gente, bebe, come e dança a nossa cultura. Até na maneira de se expressar, tudo vem de nós. A formação do homem vem da África. Mas temos dificuldade de entender.
Camila Pitanga: No documentário, a personagem da Léa Garcia fala “eu não vou ser escrava nem de branco, nem de negro”. Infelizmente, essa cultura escravocrata não é só uma relação de submissão e de opressão do branco sobre o negro. Muitas vezes, ela é também mantida na relação do negro com o negro e do negro contra a negra.
CC: Antônio, você viveu um período no continente africano, em missão cultural. Como essa experiência se refletiu em sua vida enquanto um artista negro brasileiro?
AP: A África sempre foi um desejo. Vim de uma família muito pobre e não entendia, quando criança, que teria essa chance de ir para lá. Quando enveredei para o mundo artístico, já comecei a enxergar a possibilidade de isso acontecer.
Escolhi uma profissão que é uma janela para o mundo. Os artistas, todos éramos considerados marginais. Eu já era perseguido e já compreendia o preconceito da frase “é negro e ainda vai ser artista?”. Escolhi “vou por ali”, contra esse sistema.
Eu não fui para Europa, como tantos amigos que tiveram que sair do país em 1964.Escolhi o exílio na África porque queria saber de qual África eu tinha vindo. Tinha noção de que a minha parte e da minha família foi queimada pelo Rui Barbosa. Aqueles papéis que eu poderia buscar, eu não tinha mais.
Saí do Brasil pela porta da frente, em missão cultural, em pleno governo Castelo Branco, porque tinha uns fãs no Itamaraty que admiravam o nosso trabalho.
E eu escolhi passar quase dois anos caminhando por alguns países que tivessem o dialeto, a língua, as danças, a culinária, mais próximos e que eu pudesse entender e me achar. Escolher a África já é uma atitude política.
Com o apoio dos camaradas do Itamaraty, que eram fãs do Cinema Novo, consegui exibir três filmes, Barravento, Ganga Zumba e Esse Mundo é Meu para os presidentes de países como Gana, Nigéria, Senegal. Queria mostrar também como os negros brasileiros se comportavam e como estavam.
Era também pra eles uma revelação primeira. Com a luta pela consciência dos seus direitos e para expulsar o colonizador, não tinham tempo pra ainda entender o Brasil.
Fiz essa caminhada para entender o ser Pitanga, de onde essa família tinha saído, já que nós viemos de vários carregamentos. Viajei para estudar, debater, mostrar o negro brasileiro e como nós estávamos reagindo à opressão. Tive muitos problemas com embaixadores da África Branca, que não entendiam o que eu estava fazendo ali.
CC: Nessa África revisitada, o que você descobriu?
AP: Eu achava que vinha da Nigéria e realmente sou de lá, de Daomé, me achei ali. Isso me humanizou. Já tenho 77 anos e fico tentando entender essa incapacidade da raça negra de não entender o coletivo.
Meu ídolo em toda essa formação do Brasil é o Luiz Gama. A gente tem que entender a trajetória desse rapaz, advogado, filho de Luisa Mahin e de um fidalgo. Com 10 anos, ele é colocado na mesa de jogo e faz parte de um lote [de escravos] que vai para o Rio de Janeiro. Era essa criança, nascida livre e tornada escrava.
Como rábula [nome dado a quem advoga sem ter diploma], Gama consegue livrar do açoite centenas de milhares de negros. O enterro dele foi disputado a tapa pra segurarem o caixão. Ele botava o dedo na ferida e convencia a sociedade branca que ela estava errada.
Fico com dificuldade de entender como nossos iguais não elegem uma fonte de conhecimento.Eu sou de uma família com um percentual de representatividade acima de 50%, nós negros somos maioria e não nos entendemos. Que dificuldade é essa?
As lutas do passado continuam. A dívida é muito grande e antiga com a comunidade negra. Meus filhos não tiveram nenhuma perseguição, mas não é por isso que eles não têm essa consciência.
Quando você liga a televisão pra ver uma dramaturgia, o percentual é de quase zero negros, mas, mesmo assim, a maioria assiste e não te elege, prefere eleger o branco de olhos azuis. O meio de comunicação é o “vil metal”. É preciso eleger os seus, num reconhecimento de si mesmo.
Eu não quero enxergar o mundo por uma fresta, quero abrir todas as portas e janelas, ver a claridade entrar. Eu seria muito mais se a nossa sociedade [elegesse] Ruth de Souza, Léa Garcia, Zezé Motta. Precisamos reconhecer o seu valor, oferecer o mesmo reconhecimento expressado que o branco tem. Você pega um Tarcísio [Meira] – nós viemos da mesma época – onde está o Tarcísio e onde está o Antônio Pitanga?
Estou firme, mas não pelo reconhecimento de nossa sociedade. Já o Tarcísio está vários corpos na minha frente. Hoje temos pessoas como a Camila [Pitanga], como a Tais [Araújo], a Sharon Menezes, o Lázaro Ramos – tiro o chapéu pra eles.
No meu caso, no de Milton, Abdias [do Nascimento] ou Grande Otelo, o preconceito era radical.
Milton Gonçalves e Antonio Pitanga.
Agora já estamos em uma sociedade que reconhece o talento deles. Nós, no passado, éramos desbravadores, não tivemos o peso do reconhecimento de nossa sociedade.
Claro, ainda há um mito da democracia racial. Se você assistir os filmes que eu fiz, a altivez do ator e do personagem é a mesma. Precisamos criar aliados. Entender que você tem uma janela e pode compor com outras pessoas.
CC: Você pode adiantar pra nós sobre o seu novo projeto, um filme que vai contar a Revolta dos Malês?
AP: Os Malês eram os negros do norte da África, que falavam árabe e tinham conhecimento da Física, da Ciência e da Aritmética. Esses caras fizeram uma aliança com os negros do candomblé pra tomar o poder. Não é a história de negros coitadinhos do Pelourinho, são negros que detinham o conhecimento em 1835. Eles são de religião islâmica e compuseram um exército com os negros do candomblé, do catolicismo, e tiveram a capacidade, esse gesto nobre, de compor um exército assim.
Eu sou malês. Então, quero ter essa altivez, essa generosidade, essa maneira de enxergar o outro e crescer com outro, embora tenha uma opinião diferente. Não é porque sou negro que tenho que ser sambista ou jogador de futebol. Não é por isso que vou deixar de ser negro.
Eu quero ter minha opinião. Se eu não fui um negro alforriado, não fui um escravo, sou um negro liberto e saí das correntes. Mandar em mim não dá. Eu prefiro ser esse negro em movimento, para ter a capacidade de pensar, avançar e recuar. Por isso, nada contra os movimentos negros, mas eu sou um capoeirista mental. Depois que entendi que tinha asas para voar, quero voar.
CC: Você tem encontrado dificuldades para a realização do filme?
AP: Quero contar uma história da nossa família, da nossa sociedade e dos nossos irmãos. Sobre onde nasce o levante mais importante que aconteceu nesse País, quando os negros oprimidos entenderam que eram mais de 60% da população baiana. Muitos malês já vinham com culturas de liberdade da África e acreditavam que iriam inaugurar o islamismo no Brasil. Eles tinham uma estratégia de tomar o poder, como tinha Napoleão Bonaparte.
Não é só contar a nossa história, mas a história brasileira. O Brasil não conhece o Brasil. É uma maneira de você, através dos Malês, entender a própria história desse país e também do negro entender sua própria história.
Ainda estou captando recursos para esse projeto, mas digo abertamente que estou ali como uma missão: ele não é meu, estou ali como instrumento.Gostaria de entregar esse filme ao Ministério da Cultura e ao Ministério da Educação para ser exibido em praça pública, nas comunidades, nas vielas, nos becos. Um filme que a gente tenha oportunidade de revisitar nossa própria história.
José Celso Martinez e Antonio Pitanga.
CC: O que mudou durante os governos Lula e Dilma no meio artístico e social? Como você vê o contexto político que estamos vivendo?
AP: Eu já vivi várias épocas: a Guerra Mundial, o golpe do Dutra, Getúlio Vargas, o golpe de 1964. Vi o mundo dar uma guinada de 180 graus, toda a revolução, os direitos das mulheres, a chegada da camisinha, da pílula, do homem na Lua. Vi até um zepellin em 1949.
Vi os Filhos de Gandhi rasgarem o ventre da Bahia quando era proibido o negro desfilar. Vi Grande Otelo, Ruth de Souza e vi Leá Garcia ganhar a Palma de Ouro. Abdias do Nascimento, Haroldo Costa, Milton Gonçalves, Jorge Coutinho – pessoas como eu, que estavam na estrada, me passaram o bastão e eu continuei essa história.
Vi a chegada do negro no cinema. Evoluímos e tomamos os espaços. Hoje, em 2017, eu vejo o negro chegar um pouco mais. Conquistamos muitas coisas na política, mas vejo a regressão e que tivemos algum tempo no poder, mas sem tomar conta de todo esse ganho.
Se tivéssemos tomando conta, não viveríamos essa situação delicada de eu estar com 77 anos e viver outro golpe.
Agora, teremos que reinventar. Eu quero ter força pra viver de novo os momentos que vivi com a distribuição de renda feita por Lula e Dilma. Esse filme eu já vi.
Estou muito preocupado, porque agora são meus filhos, netos e bisnetos, são esses jovens que estão começando a caminhar com suas próprias pernas. Precisamos respirar um pouco e pensar de que maneira vamos enfrentar essa tempestade.
É um momento que jamais pensaria, de um grau de embrutecimento da nação muito grande. Já lutamos contra isso. É 2017 e estamos passando por isso de novo? Que capacidades teremos pra detectar o grau dessa tempestade e continuar de pé com dignidade de entender e participar da luta do outro? É um momento que estou querendo entender.
CP: Acho estamos vivendo um momento no qual as pessoas querem se entrincheirar em um só lugar. Precisamos ter um entendimento dialético da vida, no qual a gente não pode ficar num só lugar. Precisamos repensar, dialogar com todos e se colocar na posição de todos. Uma mulher, claro, principalmente as mulheres negras, sofrem de maneira atroz e doída uma série de opressões que eu mesma ainda não tenho a dimensão na minha carne. Mas, como ser humano, estou aberta para ver o outro. Eu sei disso e sei também precisamos falar muito disso, gritar muito, pra contrapor.
CC: Antônio, qual o conselho você daria hoje para essa nova geração de artistas negros?
AP: O artista negro, década a década, tem-se colocado de uma maneira maravilhosa com a música, as artes plásticas e com a dança. Mas em que momento a gente entende essa contribuição no coletivo, que não seja só pra um? Que não seja só para dançar pra alguém bater palma?
O conselho que eu dou é que o jovem possa entender sua raiz, possa se comunicar mais com o outro – o outro tem muita história pra contar, já que nós viemos de várias Áfricas.
Eu perguntaria: de que maneira você pode alimentar o outro e vice-versa? Para quem você está escrevendo, grafitando, contribuindo? Você tem que entender quem é você e qual é o seu papel.
E é um papel valiosíssimo, pois seus irmãos ainda são perseguidos, oprimidos, sofrem preconceito, suas irmãs, ganham menos do que o homem negro.
É a revolução do conhecimento. Procure olhar no espelho, quem sou eu? Acho que é entender seu habitat intelectual, sua formação, a maneira de discutir, defender e colocar sua questão, sem medo de se expressar.
A gente acha que não pode incomodar. Eu quero incomodar, vim para incomodar. Às vezes eu fico muito triste com nossos irmãos, que querem mais contentar uma sociedade opressora do que entender os nossos.
*Larissa Ibúmi Moreira é historiadora, feminista interseccional e escritora.
Entrevista – Extra/Globo
Camila Pitanga declara seu amor ao pai: ‘Ele é a pessoa que mais admiro’
Fonte: Extra/Globo
Naiara Andrade, em 14/08/16
Tipicamente brasileira, a fruta tem como características a cor viva e o sabor ácido, num contraste com sua tenra polpa.
Os Pitanga são assim também: o baiano, de 77 anos, e a carioca, de 39, transbordam em energia, equilibrando a personalidade forte com o tratamento suave perante a vida.
Cúmplices, Antonio e Camila são mais que pai e filha, são grandes amigos.
— Ele enxerga a vida pela lente do amor. Viveu coisas muito difíceis, mas superou tudo com alto- astral e generosidade. Às vezes, é meio turrão, mas tem a grande qualidade de saber ouvir. Nunca teve um “eu sou o dono da verdade”. Ele sempre levou em consideração o que eu e meu irmão sentíamos — sublinha Camila, derretida por seu herói: — Ídolo é o que fica no lugar do inatingível. E eu o admiro como ele é, com virtudes e defeitos, de carne e osso.
Era 1986, quando o ator Antonio Luiz Sampaio e a modelo, bailarina e atriz Vera Lúcia Manhães se separaram.
De comum acordo, decidiram que os filhos — Camila e Rocco, então com 9 e 6 anos — morariam com o pai.
— Criar, todo mundo cria. Difícil é educar com alegria! Naquela época, não era comum um homem ficar com duas crianças sob sua responsabilidade. Eu plantei e reguei as sementes, vi os dois crescendo no meu seio e estabeleci uma relação de confiança e amizade com meus filhos — emociona- se ele.
Antonio Pitanga criou sozinho os dois filhos Foto: Reprodução/Álbum de família
Rocco guarda lembranças felizes da infância e da adolescência compartilhadas com o pai e a irmã.
Dos frequentes passeios à praia, a bordo de um Fiat 147, às visitas aos estúdios de TV e sets de filmagens, em que, inconscientemente e muito à vontade, deu seus primeiros passos na profissão de ator.
— Meu pai sempre foi uma figura presente, ele se desdobrou para ser “pãe”. Se ia ficar muito tempo fora, a trabalho, nos levava junto com ele. Lembro de eu e Camila estarmos no set e precisarem de uma criança para a cena. Eu fazia e adorava! Hoje, vivendo do mesmo ofício, encontro com gente que diz ter me pegado no colo… — conta o caçula da família, que, por obra do destino, viu também sua vida pessoal enveredar pelos caminhos trilhados pelo pai: — Há dois anos, a mãe das minhas filhas (Amanda, de 12 anos, e Bruna, de 11) faleceu (a produtora cultural Cláudia Cunha sofreu um infarto). Desde então, cuido das duas sozinho, sem nenhuma frescura nem medo, porque tive essa referência em casa. E ainda tenho muito mais facilidades do que ele: amigos com quem contar, internet para pesquisar… Curioso é que minha filha mais velha tem o mesmo instinto protetor e maternal que Camila desenvolveu comigo e com meu pai.
De Antonio, Camila e Rocco também herdaram o sobrenome artístico. E o repassaram a suas filhas. Muita gente não sabe, mas Pitanga era como se chamava o primeiro personagem interpretado por ele, no filme “Bahia de todos os santos” (1960).
— Um belo dia, meu pai chamou a gente e disse que tinha um presente. Aí nos entregou a certidão, sacramentando uma identidade que eu já tinha adotado para a vida profissional. Hoje sou Camila Pitanga Manhães Sampaio no RG — relembra a filha famosa, que retribuiu com uma homenagem à altura: — Tinha o sonho de batizar a minha primeira filha com o nome do meu pai. E pedi licença a meu irmão, já que a namorada dele engravidou antes de mim. Antonia (de 7 anos, fruto de seu casamento com o diretor de arte Claudio Amaral Peixoto) tem uma admiração enorme por esse avô! É sensível e amorosa, como ele. E canta, já é uma “artista no geral”, como ela mesma gosta de dizer. É cedo para afirmar, mas acho que vai seguir pelo mesmo caminho da gente.
Camila Pitanga e a filha, Antonia: a menina foi assim batizada em homenagem ao avô Foto: Reprodução de Instagram
Sempre que se senta em frente à TV para assistir a “Velho Chico”, Antonio se delicia ao identificar sinais da filha em Tereza, personagem interpretada por ela na novela das nove da Globo.
— Reconheço ali a verdadeira Pitanga. Ela é tão firme quanto! Quando a outra (Luzia, vivida por Lucy Alves e rival de Tereza) bateu nela, eu sabia que não ia ficar em vão. Vejo a novela torcendo — entrega o pai, orgulhoso.
Camila se apressa em diferenciar, no entanto, a relação com seus pais da ficção e da vida real.
Ela garante que os embates entre Tereza e Afrânio (um outro Antonio, o Fagundes) em nada lembram o que viveu em casa.
— Meu pai não tem nada de coronel, nada! Na novela, há uma dificuldade de afeto, né? Aqui é justamente o contrário: um derramamento de amor. Ele é um homem feminino, sensível demais. É daqueles que mandam mensagens de “Eu te amo” em dias comuns e emoticons de bom dia… — detalha Camila, revirando o baú de amáveis recordações: — Quando eu era pequena, ele se agachava para falar comigo olhos nos olhos. Passava minhas saias plissadas, fazia mingau, comida fresquinha… Não era bom cozinheiro, mas quem sou eu para criticar!
Antonia, Camila Pitanga e Ruth de Souza.
A falta de habilidade na cozinha é apontada pela atriz como um dos pontos em comum com seu pai, além da rouquidão na voz e da facilidade para se comunicar (“A questão do atraso para os compromissos, acho que já superei”, afirma ela, voltando um doce olhar de reprovação para Antonio).
Em Dias dos Pais, como hoje, a filha coruja vencia qualquer dificuldade para agradar ao ator.
— A gente está falando de experiências absolutamente eventuais, tá (risos)? Mas lembro que, uma vez, preparei para ele um lombo com molho de queijo. Eu colecionava essas revistas que ensinavam a costurar, bordar, cozinhar… — conta Camila, que assumiu o posto de dona de casa, ainda menina, devido à ausência da mãe, diagnosticada com um transtorno psiquiátrico: — Mas minha relação com ela sempre foi bem próxima. Hoje, nos falamos de três a quatro vezes por dia. Ela é minha filha, meu amor! Mamãe foi acolhida e respeitada pela Bené (a deputada Benedita da Silva, de 74 anos, segunda mulher de Antonio). Há uma reciprocidade, um carinho muito grande das duas partes. Assim como eu com o pai da Antonia. Mesmo separados, a gente se respeita, se ama, se cuida, se vê. Eu me dou bem com a mulher dele, ele se dá bem com o meu namorado (o ator Igor Angelkorte, de 32 anos). É uma família que só agrega e cresce.
Das datas especiais, Antonio guarda, até hoje, os desenhos feitos pela filha. E, ao eleger o maior presente dado por ela, é certeiro ao falar do que não tem preço, mas apreço:
— Ah, a Antonia! Ela tem o meu nome, é uma Pitanga! E tem um carinho enorme por esse avô aqui. Eu a levo sempre comigo, olha — diz, exibindo a foto com as três netas na tela inicial do celular.
Ao se tornar mãe, Camila diz ter revisto muito de sua história de vida. Os longos diálogos que travava com o pai, quando mais nova, hoje ela reproduz com sua cria:
— Educar é um ato de amor. Com uma sabedoria muito própria, meu pai me deixou exercitar a liberdade, com limites. Não era “tudo pode”. Ele sempre nos abraçava, dizendo que aprendia com a gente. Agora, entendo o que ele falava. Eu aprendo a ser melhor com Antonia, porque tenho que me repensar para educar.
Numa relação tão profunda entre pai e filha, não cabia reservas nem para os assuntos mais íntimos.
— Quando fiquei menstruada, foi para ele que contei primeiro. Ele me deu flores! Quando me separei, também. Ele me deu colo… — ela lembra.
Aos 56 anos de profissão, o veterano ator não vacila ao afirmar:
— Com certeza, o papel de pai foi o mais especial da minha vida. Ele me fez mais humano. Se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria.
Madrastas muito especiais
Se a tempestuosa relação pai-e-filha da ficção não espelha a realidade afetiva entre Camila e Antonio Pitanga, os laços de amizade cultivados por Tereza e Iolanda (Christiane Torloni) se mostram similares à história da atriz com a madrasta, Benedita.
ANTONIO PITANGA, JUÍZA IVONE CAETANO, BENEDITA DA SILVA e MAURICIO CAETANO.
— Tenho uma “ótimadrasta”! — brinca Camila: — Eu tinha 16 anos, quando Bené entrou de vez nas nossas vidas. Eu a conhecia antes de ela e meu pai serem namorados, porque admirava a trajetória política, os valores dela. Quando eles decidiram ficar juntos, foi uma bênção. Ela me respeitava como mulher, teve muita delicadeza ao entrar no nosso núcleo familiar. Acabei ganhando mais dois irmãos, filhos dela. A nossa família é enorme, festiva, alegre. Os melhores natais são aqueles em que todo mundo está reunido.
Antonio diz que, a partir desse novo casamento, não só a estrutura familiar mudou, mas também o jeito de viver a vida:
— O tradicional seria trazer Benedita para morar na nossa casa, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Mas fizemos diferente: fomos eu, Camila e Rocco morar no morro com ela. Foi um período lindo no Chapéu Mangueira, no Leme.
Hoje, Camila e o pai permanecem na Zona Sul do Rio, em bairros distintos: ela mora no Jardim Botânico e ele, no Flamengo.
Antonio Pitanga como Firmino em ‘Barravento’, de Glauber Rocha.
Carreira
Cinema
- Bahia de Todos os Santos (1960)
- Weit ist der Weg (1960)
- A Grande Feira (1961)
- O Pagador de Promessas (1962)
- Tocaia no Asfalto (1962)
- Barravento (1962)
- Ganga Zumba (1963)
- Senhor dos Navegantes (1963)
- Sol sobre a Lama (1963)’[2]
- Os Fuzis (1964)
- Lampião, o Rei do Cangaço (1964)
- Esse Mundo É Meu (1964)
- Mitt hem är Copacabana (1965)
- Samba (1965)
- Menino de Engenho (1965)
- A Grande Cidade (1966)
- Mar Corrente (1967)
- Cangaceiros de Lampião (1967)
- A Mulher de Todos (1969)
- Tropici (1969)
- Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969)
- Corisco, o Diabo Loiro (1969)
- Em Compasso de Espera (1969)
- Jardim de Guerra (1970)
- República da Traição (1970)
- Juliana do Amor Perdido (1970)
- Vozes do Medo (1972)
- Quando o Carnaval Chegar (1972)
- Uma Negra Chamada Tereza (1973)
- Joanna Francesa (1973)
- Mestiça, a Escrava Indomável (1973)
- Um Homem Célebre (1974)
- Os Pastores da Noite (1975)
- Crueldade Mortal (1976)
- Cordão de Ouro (1977)
- Ladrões de Cinema (1977)
- Na Boca do Mundo (1978)
- A Deusa Negra (1978)
- A Idade da Terra (1980)
- Rio Babilônia (1982)
- O Homem do Pau-brasil (1982)
- Quilombo (1984)
- O Rei do Rio (1985)
- Chico Rei (1985)
- La mansión de Araucaima (1986)
- Eternamente Pagu (1987)
- Dedé Mamata (1988)
- O Quinto Macaco (1990)
- Barrela – Escola de Crimes (1990)
- Mauá – O Imperador e o Rei (1999)
- Villa-Lobos, uma Vida de Paixão (2000)
- A Terceira Morte de Joaquim Bolívar (2000)
- Garotas do ABC (2003)
- Apolônio Brasil, o Campeão da Alegria (2003)
- Mulheres do Brasil (2006)
- Zuzu Angel (2006)
- O Homem que Desafiou o Diabo (2007)
- Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011)
- Pitanga (2017)
Antonio Pitanga com Zezé Motta no filme ‘Quilombo’, de Cacá Diegues.
Televisão
- 1968 – Ana – Antônio (Rede Record)
- 1969 – Vidas em Conflito – Robson (TV Excelsior)
- 1969 – Sangue do Meu Sangue – José do Patrocínio (TV Excelsior)
- 1971 – O Homem que Deve Morrer – Pé na Cova – TV Globo
- 1972 – Jerônimo, o Herói do Sertão – Zabumba (TV Tupi)
- 1973 – Os Ossos do Barão – Misael – TV Globo
- 1975 – Ovelha Negra – Dito Preto (TV Tupi)
- 1977 – O Astro – Epaminondas Napoleão – TV Globo
- 1977 – Espelho Mágico – Bernardes – TV Globo
- 1977 – O Espantalho – Sérvulo (Rede Record)
- 1981 – Rosa Baiana – Capitão Marcos (Rede Bandeirantes)
- 1981 – Terras do Sem-Fim – Silveira
- 1982 – Caso Verdade, Borboleta na Cabeça – Homero
- 1983 – Bandidos da Falange – Delegado Benjamin
- 1984 – Partido Alto – Jacaré
- 1984 – Meu Destino É Pecar – Dioclésio
- 1985 – Tenda dos Milagres – Exu
- 1985 – Tudo em Cima – Ignorância/Teimoso (Rede Manchete)
- 1985 – Roque Santeiro – Robusto (participação especial)
- 1986 – Dona Beija – Moisés (Rede Manchete)
- 1987 – Corpo Santo – Patrício (Rede Manchete)
- 1988 – Olho por Olho – Baba Ovo (Rede Manchete)
- 1989 – Kananga do Japão – Bira (Rede Manchete)
- 1990 – Pantanal – Túlio (Rede Manchete)
- 1990 – A História de Ana Raio e Zé Trovão – Elomar (Rede Manchete)
- 1991 – O Fantasma da Ópera – Marcelo Villar (Rede Manchete)
- 1993 – Guerra sem Fim – Delegado Azulão (Rede Manchete)
- 1994 – Incidente em Antares – Thiago
- 1995 – A Próxima Vítima – Kléber Noronha
- 1996 – O Rei do Gado – Clementino – TV Globo
- 1999 – Louca Paixão – Delegado Dantas (Rede Record)
- 2000 – O Cravo e a Rosa – Capitão João Manoel
- 2001 – O Clone – Tião – TV Globo
- 2003 – Celebridade – Comandante Aguiar (participação)
- 2003 – Agora É que São Elas – Ezequiel
- 2007 – Amazônia, de Galvez a Chico Mendes – Alcedino
- 2008 – Os Mutantes – Caminhos do Coração – Newton Carvalho (Rede Record)
- 2008 – Casos e Acasos – Dr. Carlos
- 2008 – Faça sua História – José Bonifácio
- 2010 – S.O.S. Emergência – Antônio
- 2010 – Cama de Gato – Miguel
- 2013 – Lado a Lado – Túlio [3] – TV Globo
- 2013 – Malhação – Jozino de Souza [4] – TV Globo
- 2014 – Acerto de Contas – Negativo [5]
- 2016 – Lili, a Ex – Seu Ancelmo
Teatro
- 1970 – Hair
CITAÇÃO
Antonio Pitanga – Um Brasil em preto e branco
“Nossa contribuição nessa sociedade brasileira é muito maior. Essa sociedade branca, que não reconhece a gente, bebe, come e dança a nossa cultura.”
Antonio Pitanga Publicado em Carta Capital,
Antonio Pitanga
Antonio Luiz Sampaio
(Salvador, 13 de junho de 1939)
83 Anos
FONTES
A Tarde, Antônio Pitanga, artistas, Brasil, Camila, Carta Capital, Centro do Professorado Paulista, cientistas, CITAÇÕES, consciência, CPP, entrevista, escritores, famosas, filósofos, frases, Glauber Rocha, humanidade, ideias, inovações, invenções, malês, marcantes, movimento, mundo, negra, negraos, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, polêmicas, professores, Rocco, sociedade, wikipedia, wikiwand -
Inscrições abertas para o 20º Concurso de Corais Infantojuvenil

Podem se inscrever escolas das redes estadual, municipal e particular até 31 de agosto
Depois de dois anos suspenso por causa da pandemia, o Concurso de Corais Infantojuvenil está de volta.
FONTE: CPP CENTRAL
A 20ª edição do evento será realizada nos dias 12, 13 e 14 de setembro, com inscrições abertas até 31 de agosto. Podem se inscrever escolas das redes estadual, municipal e particular, nas seguintes categorias: Ensino Fundamental – 1º ao 5º; Ensino Fundamental – 6º ao 9º ano; e Ensino Médio – 1º ao 3º ano.
O Concurso de Corais Infantojuvenil é uma programação cultural idealizada pela presidente do CPP, professora Loretana Paolieri Pancera.
Direcionado a estudantes do ensino fundamental ao ensino médio das redes estadual, municipal e privada de ensino, o evento é realizado anualmente, desde o ano 2000, na Sede Central.
O objetivo é despertar o interesse pela arte musical, assim como o conhecimento da música popular brasileira e do folclore nacional, no ambiente escolar.
“Após longo período de dificuldades e distanciamento por causa da Covid-19, nada como as manifestações artísticas e culturais para nos ajudar a resgatar a alegria de viver.”
– Loretana Pancera
As apresentações passam por avaliação de comissão julgadora, que seleciona, por meio de nota, a colocação dos corais participantes.
Há premiação para os dois primeiros colocados e diploma de participação para todos os grupos apresentados.
É importante mencionar que o Concurso de Corais é reconhecido como projeto artístico do estado de São Paulo, já abordado pela imprensa paulista.
Mais informações pelos telefones (11) 3340-0509 e 3340-0513, ou por e-mail:
-
Dia dos Namorados

“Você não pode culpar a gravidade por se apaixonar.”
“O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá, mais se tem.”
O Dia dos Namorados é comemorado em 12 de junho no Brasil.
É muito comum nessa data a troca de cartões-postais e presentes especiais entre namorados.
Muitos casais viajam ou planejam um jantar especial, aproveitando para celebrar sua união e agradecer o companheirismo e a dedicação entre ambos durante o ano todo.
“O amor é como um sorriso que nunca termina.”
– “…Love is a never ending smile.”
– Ronnie James Dio in: “Wishing Well”, do álbum Heaven and Hell (1980)
Por que no Brasil o Dia dos Namorados é em 12 de junho?
A data surgiu no comércio paulista, quando o publicitário João Dória (pai do ex-governador de São Paulo) conheceu o Valentine’s Day (em português, Dia de São Valentim, 14 de fevereiro) em uma de suas viagens ao exterior, e trouxe a mesma ideia para o Brasil, porém adaptada.
O objetivo do publicitário era aumentar as vendas, pois em junho o desempenho do comércio era fraco.
Assim, aproveitando-se da fama de Santo Antônio, santo português conhecido como santo casamenteiro e protetor dos noivos, que é comemorado no dia 13 de junho, João Dória sugeriu que o Dia dos namorados fosse comemorado no dia anterior, 12 de junho.
“Amar é mudar a alma de casa.”
In: Mario Quintana – Poesia Completa – Sapato Florido p. 170, RJ: Editora Nova Aguilar, 2005
Em Lisboa, é tradição celebrar um casamento coletivo no dia 13 de junho, na própria Igreja onde Santo Antônio nasceu.
Para quem deseja casar, há várias simpatias para realizar no dia de Santo Antônio. Uma delas consiste em retirar o Menino Jesus que o santo carrega, prometendo devolvê-lo apenas depois que encontrar um marido.
Outra simpatia é colocar a imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo, prometendo mudá-la de posição somente quando Santo Antônio arranjar um marido. Estes rituais são geralmente feitos na madrugada do dia 12 para o dia 13 de junho.
Valentine’s Day
Fora do Brasil, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, o Dia dos Namorados é celebrado em 14 de fevereiro, data conhecida como Valentine’s Day (em português, Dia de São Valentim).
O Dia de São Valentim homenageia São Valentim, bispo que ficou conhecido por celebrar casamentos em sigilo em Roma, quando o Imperador Claudio II proibiu a celebração de casamentos.
A justificativa do imperador era de que homens solteiros seriam melhores combatentes, visto que os casados já não queriam mais se arriscar.
Por defender o amor e a união dos casais perante Deus, São Valentim foi julgado e condenado à morte. A sua execução foi realizada em 14 de fevereiro de 269 d.C.

“O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes façanhas.”
Amor
Amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa.[1]
O uso do vocábulo, contudo, lhe empresta outros tantos significados, quer comuns, quer conforme a ótica de apreciação, tal como nas religiões, na filosofia e nas ciências humanas.
O amor possui um mecanismo biológico que é determinado pelo sistema límbico, centro das emoções, presente somente em mamíferos e talvez também nas aves — a tal ponto que Carl Sagan afirmou que o amor parece ser uma invenção dos mamíferos.[2]
- Para o psicólogo Erich Fromm, ao contrário da crença comum de que o amor é algo “fácil de ocorrer” ou espontâneo, ele deve ser aprendido; ao invés de um mero sentimento que acontece, é uma faculdade que deve ser estudada para que possa se desenvolver – pois é uma “arte”, tal como a própria vida. Ele diz:
“Se quisermos aprender como se ama, devemos proceder do mesmo modo por que agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, a pintura, a carpintaria, ou a arte da medicina ou da engenharia.“
FONTES

Amor, apaixonados, artistas, Brasil, Centro do Professorado Paulista, cientistas, CITAÇÕES, CPP, dia dos namorados, escritores, famosas, filósofos, frases, humanidade, ideias, inovações, invenções, marcantes, mundo, paixão, pensador, pensadora, pensadores, pensamentos, polêmicas, professores, sociedade, wikipedia, wikiwand
Início
👏 59 Anos de lutas e conquistas para o professorado de Bauru e região


































































