A Devoção pela Educação • Neuza Sampaio • 79 Anos

“Não nos esqueçamos nunca, da ‘boa parte’

que reside em todas as criaturas.”

– Neuza Sampaio

Neuza Aracy Costa Sampaio, professora, diretora, supervisora de ensino, e há décadas, representante do professorado paulista.

Atualmente, é a diretora do CPP de Bauru, além de conselheira.

Depois, obteve a Licenciatura Plena em Pedagogia, com habilitação em Administração e Supervisão Escolar. Fez diversos cursos de especialização e treinamentos, até ser diretora de escola. Aposentou como supervisora de ensino.

“Aprender primeiro, ensinar depois.”

– Neuza Sampaio

Abaixo, a ‘Entrevista da Semana’ de 19 de junho (22), do Jornal da Cidade, de Bauru/SP, com Neuza Sampaio. Ela fala sobre sua vida, sempre dedicada à educação, espiritualidade e família.

Prestes a completar 79 anos no início de julho, ela dedicou seis décadas de sua vida à educação.

Fonte: Jornal da Cidade • Guilherme Tavares • 19/06/2022

Seja em sala de aula ou fora dela, Neuza Aracy Costa Sampaio devotou-se à missão de promover o ensino para transformar a sociedade. Tanto que carrega como lema uma frase do amigo e professor Rodolpho Pereira Lima:

“A maior segurança de uma nação não está no seu efetivo policial militar,

mas na educação do seu povo.” – Rodolpho Pereira Lima

Neuza Aracy Costa Sampaio ao lado do marido Alpheu José (à direita), e os pais, Júlia e Edovaldo.

Filha de Edovaldo Costa e Julia Morales Costa (falecidos), foi criada pelos tios Moacir da Costa Leite e Auricilde Costa Leite (ambos também em memória), por quem nutre muito apreço.

Neuza Aracy Costa Sampaio ao lado do marido, e dos tios Auricilde e Moarcyr

Os “pais adotivos” foram decisivos na formação.

“Sempre tinha jornal, livro, algum material para ler em casa.

E titia escrevia poesias.”

– Neuza Aracy Costa Sampaio

Nascida em Mineiros do Tietê, todos os dias atravessava 20 quilômetros de estradas de terra até Jaú para estudar.

Concluiu o magistério aos 17 anos. Casou com Alpheu José e mudou para Bauru aos 19, mesma idade em que começou a lecionar no ensino fundamental no município de Fernão.

Para chegar ao trabalho, viajava no “trem das professoras”.

Mais tarde, virou diretora de escola e passou a atuar na Delegacia Regional de Ensino (hoje, Diretoria de Ensino, do governo do Estado), onde teve a oportunidade de contribuir com a construção de dez escolas estaduais de Bauru, algumas das maiores do município até hoje.

“Quanto maior o âmbito de atuação,

mais pessoas são abrangidas pelo seu trabalho.”

– Neuza Aracy Costa Sampaio

Mesmo aposentada, seguiu atuando em prol da área.

Passou a integrar os quadros de gestão do Centro do Professorado Paulista (CPP) em Bauru.

Foi diretora da sede local de 1992 a 2001. E, há dois anos, novamente atendeu o chamado do dever ao reassumir o posto após o falecimento da então diretora.

Ricardo, Ester, Neuza, Artur e Aloísio

Tem quatro filhos: Artur, Aloísio, Ester e Ricardo. E ainda sete netos.

Além do magistério, formou-se em Estudos Sociais com Habilitação em Educação Moral e Cívica pelo Unisagrado (na época, USC).

A seguir, confira trechos da entrevista dela ao JC.

Jornal da Cidade – O que a levou à formação no magistério?

Neuza Aracy Costa Sampaio – Na época, era o curso que quase todas as moças se direcionavam. Havia poucas faculdades no Estado. Então, o magistério era um caminho muito comum para as jovens. Além disso, sempre gostei muito de estudar, me dedicava. Viajava 20 quilômetros todos os dias de Mineiros do Tietê para Jaú por estrada de terra para ir à escola. E também fui muito estimulada pelos meus tios, sempre tinha material letrado em casa, como jornal, revista, livro. Gostava muito de dar aula, lecionar, me realizei como professora.

JC – Depois, a senhora virou diretora de escola e atuou na Delegacia Regional de Ensino. Por que migrou para a área de gestão e administração?

Neuza – Primeiro, porque eu sempre procurei, mesmo como professora, funções de liderança. Então, me realizei muito como diretora, porque tive a possibilidade de colocar em prática minhas ideias e melhorar as escolas. Quanto maior o seu âmbito de atuação, mais pessoas são abrangidas pelo trabalho. Você dá exemplo, influencia as pessoas. E, mesmo depois, como assistente de planejamento, conseguimos construir os maiores prédios escolares de Bauru. A cidade precisava de muitas vagas na época e fizemos um esforço inaudito. De 1979 a 1986, construímos dez escolas estaduais. Proporcionar estrutura também é uma forma de contribuir com o crescimento da educação. Isso é uma satisfação enorme.

JC – Depois de aposentada, assumiu cargos no CPP e, dessa vez, como serviço voluntário. Não era hora de deixar de trabalhar?

Neuza – Não, porque sempre atuei em benefício de alguém. Sejam colegas da educação ou pessoas com necessidades afetivas e fraternas. Minha vida se resume a cuidar da família, tanto ascendentes quanto descendentes, atuar no magistério e trabalhar como voluntária no CPP e no centro espírita. E o trabalho voluntário traz uma felicidade muito grande. Você sempre está fazendo, de uma forma ou de outra, pelo benefício de alguém. Ou do colega da educação ou de pessoas necessitadas. Desde 1966, faço parte do Centro Espírita a Serviço do Mestre, na Vila Dutra. Participei da diretoria, fui vice- presidente e presidente.

JC – Com um currículo tão extenso, de seis décadas de serviços prestados, e se aproximando dos 79 anos de vida, ainda há o que realizar?

Neuza – O que move a gente são os projetos novos. Eu sempre penso na realização do dia seguinte. Nesses dois anos de pandemia, por exemplo, aproveitamos para reformar o salão social, melhorar o paisagismo, equipar as salas de ginástica e educação infantil.

O Coral Feminino do CPP Bauru – Junho Violeta, no Teatro Municipal – Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa – 2022

Agora, estamos atuando para firmar um convênio com a prefeitura para os professores da rede municipal se filiarem ao CPP. Nosso trabalho é constante, contínuo.

JC – E depois de toda essa trajetória de dedicação ao outro, qual o sentimento no coração?

Neuza – Tudo aquilo que fazemos pelos outros, o ganho na verdade é nosso. Porque, à medida que faz alguma coisa para alguém, você se esquece dos próprios problemas para focar na ajuda ao próximo. Então, você deixa de ter problemas, mesmo que momentâneo.

Foto da matéria no jornal impresso

A Devoção pela Educação • Neuza Sampaio • 79 Anos

“Ninguém cruza nosso caminho
por acaso, e tudo tem sua
razão de ser.”

– Neuza Sampaio

A Devoção pela Educação • Neuza Sampaio • 79 Anos

“Só o afetivo é efetivo.”

– Neuza Sampaio

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